Polícia

Ex-marido de médica passa fim de semana sem visitas de familiares em delegacia

Ao todo, seis pessoas participaram do assassinato da médica Milena Gottardi Tonini Frasson

Ex-marido de médica passa fim de semana sem visitas de familiares em delegacia

Suspeito de ser o principal mandante do assassinato da ex-mulher, o policial civil Hilário Fiorot Frasson, preso no final da semana passada, não recebeu visita de familiares na Delegacia de Novo México, em Vila Velha, onde está detido. No último domingo (24), ele recebeu apenas a visita do advogado de defesa.

O policial civil está detido desde a última quinta-feira (21), suspeito de ser um dos mandantes da morte da médica Milena Gottardi. As grades da delegacia foram completamente fachadas com lonas, impedindo a visualização do pátio. Segundo informações de policiais que trabalham no distrito, o suspeito, que divide cela com outros três policiais, recebeu apenas visitas de advogados e tem se recusado a sair para tomar banho de sol.

Por telefone, o advogado de defesa e presidente da OAB no Espírito Santo, Homero Mafra, contou que visitou Hilário na manhã do último domingo. De acordo com ele, o pedido de habeas corpus não será feito nesta segunda-feira (25) como havia sido divulgado. Junto com a equipe de advogados, Mafra pretende analisar o caso em detalhes do inquérito. 

Na última sexta-feira (22), os advogados Hiran Luis da Silva e Ana Luísa Nunes de Lima visitaram Hilário e levaram roupas para o suspeito. A conversa entre eles durou cerca de uma hora. Para a defesa do ex-marido da médica, a prisão só aconteceu por causa do clamor público. Os advogados alegam que Hilário é inocente. O secretário de Segurança Pública do Estado afirmou que não acredita nisso. “Não tenho dúvidas de que ele será punido, processado e julgado. Temos a convicção de que no caso específico, ele e o pai serão condenados”, disse André Garcia.

OAB divulga nota

Após o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo, Homero Mafra, ter assumido a defesa de Hilário Frasson, o órgão divulgou nota a respeito do caso.

No texto, a OAB-ES afirma que repudia toda forma de violência contra a mulher, mas que também, o direito de defesa é um pressuposto do estado democrático de direito, mesmo nos casos mais polêmicos. A nota também esclarece que advogado e cliente não podem se confundir, no sentido de que não se pode vincular o advogado com quaisquer atos ou posições do cliente. A nota conclui informando que nenhum dirigente da ordem recebe remuneração, e que, por isso, todos exercem a advocacia.

Prisão

O ex-marido de Milena foi preso na última quinta-feira (21), dentro da chefatura de Polícia Civil, em Vitória. No momento da prisão, uma coletiva de imprensa acontecia na sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado e reuniu, além de jornalistas, membros do ministério público estadual, o secretário André Garcia, o superintendente da Polícia Civil, José Darcy Arruda, e o chefe de Polícia Civil, Guilherme Daré. De acordo com eles, Hilário e o pai, Esperidião Frasson, procuraram dois intermediários para negociar e planejar a morte da médica.

Ao todo, seis pessoas são suspeitas de participar do crime e cinco já foram presas. As investigações continuam e a expectativa da Polícia Civil é encontrar o segundo intermediário, Hermenegildo Palaoro Filho, que continua foragido.  

A carta

Uma carta, que foi registrada em cartório pela médica, foi obtida pela Rede Vitória. No documento ela contou sobre as ameaças que sofria do ex-marido, Hilário Frasson.

Milena foi baleada na cabeça no momento em que saía de um plantão no Hospital das Clínicas (Hucam), em Maruípe, Vitória. Ela estava com uma outra médica quando foi abordada pelo criminoso, que fugiu logo após efetuar os disparos.

A médica chegou a ser socorrida e foi internada no Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias), da Unimed, mas acabou morrendo.