Um mês depois da morte da modelo e fotógrafa capixaba Lucilene Miranda, de 33 anos, que caiu do 21º andar de um prédio no Rio de Janeiro, o namorado dela, o também fotógrafo Rodolfo Rocha, resolveu falar com a imprensa. No entanto, a entrevista concedida pelo rapaz com exclusividade ao Domingo Espetacular, da TV Record, não convenceu a família de Lucilene.
De acordo com uma das irmãs da modelo, Sulamita Casagrande, as declarações de Rodolfo não passaram de uma “encenação”. “Fiquei muito frustrada com suas declarações. Ele me pareceu frio, sínico e que estava o tempo todo encenando. Na entrevista, ele aparece chorando, mas sequer foi no enterro da minhã irmã e nem ajudou com as despesas do funeral. Minha mãe que pagou tudo. Ele ainda teve a coragem de sugerir a meu irmão, no momento em que ele reconhecia o corpo no IML, de fazer o enterro no Rio para evitar as despesas de traslado. E minha família (que mora no Espírito Santo), não conta?”, questiona.
Outro irmão de Lucilene, Lizandro Miranda, tem a mesma opinião de Sulamita. “Não falo nem por mim, mas por toda a família. Todo mundo acha que ele está fingindo. Se ele sente tanto a perda dela, por que bateu nela poucos dias antes dela morrer? Por que não facilitou a saída dela do apartamento? Minha irmã teve que pedir a ajuda da polícia para conseguir entrar no apartamento e pegar as coisas dela”, afirmou.
Após ter acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio onde a modelo capixaba morreu, a polícia carioca concluiu que ela se jogou do apartamento onde morava com o namorado. No entanto, para os dois irmãos, mesmo que Lucilene tenha se matado, Rodolfo tem culpa pela morte da jovem.
“Acho que ele contribuiu de alguma forma [pela morte de Lucilene]. Mas não sabemos o que aconteceu entre eles que possa ter levado minha irmã a se matar, porque ela teria tomado essa decisão. Então ele pode falar o que quiser hoje, porque minha irmã não está mais aqui para se defender”, lamentou.
Lizandro segue a mesma linha de pensamento de Sulamita e ainda questiona a declaração de Rodolfo, quando ele diz que Lucilene andava depressiva e que teria falado que iria se matar. “Uma pessoa depressiva costuma ser mais retraída e evita contato com outras pessoas. E minha irmã tinha tentado entrar em contato com a família, no próprio dia do crime estava conversando com amigos no WhatsApp. Então não tinha sinal nenhum de que ela estava em depressão. E a pessoa não muda tanto assim de uma hora para outra. Com certeza alguma coisa aconteceu, mas não sabemos o que”, ponderou.
Entenda o caso
Lucilene morreu no dia 21 de fevereiro, após cair da varanda do apartamento em que morava com o namorado, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A dúvida era se ela havia caído ou tinha sido jogada do local.
Para a polícia, a hipótese mais viável é de suicídio, já que não havia ninguém no apartamento no momento da queda da modelo. O delegado que investiga o caso informou que nas imagens é possível ver o namorado na área de lazer, fumando e falando ao celular no momento em que o corpo da modelo atingiu o chão.
O que a família de Lucilene questiona é o que pode ter levado a modelo a tomar tal decisão. Para os familiares, Rodolfo contribuiu para a morte dela, principalmente pelo fato de que, três dias antes da morte da jovem, ela registrou um Boletim de Ocorrência contra o namorado, alegando ter sido agredida por ele.
Lucilene chegou a tirar fotos das marcas da suposta agressão. Segundo o boletim de ocorrência, a modelo relatou que começou uma briga com Rodolfo pelo fato de ele ter levado dois amigos, usuários de drogas, para o apartamento onde o casal morava. Por causa disso ele teria a expulsado de casa. Antes que a modelo recolhesse os pertences, o namorado teria a puxado pelos braços e pescoço, causando lesões.
Segundo a família, Rodolfo teria dado um prazo de 20 dias para Lucilene deixar o apartamento. Uma amiga de Lucilene inclusive teria lhe emprestado dinheiro, para que ela pudesse se mudar.
Segundo Lizandro Miranda, Lucilene também pretendia vender seu equipamento fotográfico – avaliado em mais de R$ 5 mil – para ajudar-lhe a juntar dinheiro, para que pudesse sair do Brasil. No entanto, de acordo com o irmão da modelo, esse equipamento fotográfico não foi mais visto depois da morte dela.