Polícia

Fraude envolvendo empresários capixabas e juízes de MG é alvo de operação da Polícia Federal

As investigações identificaram indícios de crimes praticados durante tramitação de processos de falência de duas empresas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal de Minas Gerais deflagrou a “Operação Iniquidade”, que busca combater crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os alvos da operação estão empresários capixabas.

De acordo com Polícia Federal, 26 mandados de busca e apreensão foram realizados em residências, empresas e escritórios de advocacia, expedidos nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Nova Lima, Sete Lagoas, Teófilo Otoni e Carlos Chagas e nas capixabas Vila Velha e Pinheiros.

As investigações identificaram indícios de crimes praticados durante tramitação de processos de falência de duas empresas, após relato de empresários de Sete Lagoas, noticiando que um juiz estaria solicitando vantagens indevidas em função do referido processo.

As apurações detectaram que dois juízes, sem qualquer relação entre si,  teriam se utilizado de processos de falência para obtenção de vantagens indevidas, enquanto atuavam na 3ª Vara Cível da Comarca de Sete Lagoas. Um deles foi aposentado compulsoriamente em razão dos fatos investigados pela Polícia Federal.

Um dos juízes teria cooptado, com o auxílio de uma advogada e um ex-assessor, diversos empresários, que financiavam e adquiriam créditos falimentares, aumentando a somas com essas transações. 

COMO FUNCIONAVA 

Os valores que pagavam pelos créditos falimentares eram bastante baixos, em virtude do alto risco de receberem muito pouco ou mesmo nada em retorno. Mas a recompensa se multiplicava, pois, após subverter completamente o processo, o magistrado determinava o pagamento desses créditos, em proporção bem acima do esperado e em detrimento dos demais credores.

Foram decretadas 18 medidas cautelares relacionadas a operação, como: proibição de contato entre os investigados; viagens para fora do país, bloqueio de dinheiro em contas bancárias e de investimentos, em cerca de 65 milhões; sequestro de bens imóveis; além da apreensão de veículos.