Cerca de quatro anos após o assassinato de Alfredo de Souza Garcia e Keivid Rosa Carvalho, ambos de 21 anos, em um ponto de ônibus na BR-101, em Valparaíso, na Serra, a Justiça marcou a primeira audiência do caso para junho de 2020. O principal suspeito é um policial militar que teria atirado após uma suposta tentativa de assalto.
O crime aconteceu no dia 02 de fevereiro de 2015 em um ponto de ônibus as margens da BR-101, na altura do bairro Valparaíso. Um homem esperava o ônibus no local, quando os dois rapazes chegaram e anunciaram o assalto, simulando estarem armados. O homem reagiu e atirou várias vezes contra os dois, em seguida, fugiu do local com a bicicleta de um deles.
Câmeras de videomonitoramento que ficavam próximas ao local, registraram todo o ocorrido e ajudaram na apuração do caso, inclusive, na identificação do responsável pela morte dos rapazes.
O homem foi identificado e preso pela polícia em março de 2018, após confessar o crime. Fábio Silva de Souza é um soldado da Polícia Militar que atuava como diretor jurídico da Associação de Cabos e Soldados Militares do Espírito Santo. O militar alegou legítima defesa, afirmando que só reagiu depois que os rapazes anunciaram o assalto.
As duas vítimas possuíam passagens pela polícia por roubo e porte ilegal de armas. Alfredo tinha conseguido a liberdade há pouco mais de dois meses antes da morte. O rapaz foi atingido por 11 tiros. O outro jovem ainda tentou correr, mas foi atingido por um tiro na nuca e também morreu no local. Na cintura dos dois foram encontrados bonés, que segundo a polícia, podem indicar que eles estivessem simulando estarem armados. A polícia descartou a possibilidade de que eles estivessem com armas de verdade.
Investigação
O processo tramita em segredo de justiça até o momento. A magistrada responsável pelo caso aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado e o militar virou réu. O soldado foi indiciado pelo crime de duplo homicídio e encaminhado ao quartel da polícia militar, em Maruípe, Vitória.
Na época do caso, a prisão temporária de Fábio foi expedida pela 3° Vara Criminal da Serra. Para a polícia, o policial não teve as condutas necessárias. Após a situação, o policial deveria ter comunicado a ocorrência as autoridades, ter permanecido no local do crime até a chegada do crime – não ter se evadido com a bicicleta de um dos suspeitos, como ele fez – e aguardar a realização da perícia, além de entregar a arma e prestar esclarecimentos o mais rápido possível.
A defesa do policial não quis se pronunciar sobre o caso.
O outro lado
Ademir de Souza, mãe de Alfredo, um dos rapazes assassinados, lamentou a atitude do policial. “A saudade que eu sinto dele é imensa, não tem comparação. Meu filho foi morto com 11 tiros, tudo no peito. Então, acho que a pessoa que fez isso estava com muita raiva dele. Se nesse dia ele foi assaltar, o policial que matou ele poderia ter prendido ele, ele não estava armado, não iria fazer mal”, disse.
A família aguarda a conclusão do caso que está há anos sem conclusão. “Muito triste. Acho que ele não tem mãe, não tem pai, não tem filho, porque é impossível fazer uma coisa dessa. Sei que não vai trazer meu filho de volta, mas eu quero que ele seja julgado”, afirmou.