Polícia

Mulher é detida após injúria racial a funcionário da Caixa em Campo Grande

Ela xingou o atendente bancário de "negro do cabelo duro". Caso foi parar na Polícia Federal pelo crime ter acontecido numa instituição federal

Foto: TV Vitória

Uma mulher de 32 anos foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal, em Vila Velha, nesta segunda-feira (04), após denúncia de injúria racial contra um recepcionista bancário. Ele disse que foi xingado e chamada de “negro do cabelo duro” durante um desentendimento na agência da Caixa onde trabalha, em Campo Grande.

A suspeita da agressão, Andreci Angelo Gomes, foi autuada por desacato e injúria racial. Ela foi presa em flagrante e encaminhada ao Presídio Feminino de Bubu, em Cariacica, onde permanece à disposição da Justiça. Os crimes cometidos estão dispostos nos artigos 331 e 140 do Código Penal Brasileiro.

O caso

O recepcionista bancário Isack Pitombo Novais, de 22 anos, contou que houve um desentendimento entre ele e a mulher enquanto prestava serviço a uma outra pessoa. Ela se exaltou e, muito nervosa, disse que Isack a atenderia imediatamente. “Você vai me atender sim, negro do cabelo duro”, gritou, chamando a atenção de outros pessoas na agência. Os demais clientes chamaram a polícia e todos foram prestar depoimento na sede da PF, já que o caso aconteceu numa agência de uma instituição do governo federal.

Novais trabalha na agência de Cariacica desde dezembro de 2018. Começou como estagiário e foi contratado seis meses depois para trabalhar na recepção do banco. “Eu gosto de atender ao público, principalmente porque há muitos clientes idosos e pessoas simples que precisam de auxílio para acessar os serviços bancários. Mas, de vez em quando, somos vítimas de desrespeito por um tipo de gente que não tem paciência e educação”, comenta. 

Na última semana de 2020, ele foi agredido por uma outra cliente, levando um soco no rosto. A polícia também foi chamada e a mulher está sendo processada. “Mesmo com esse caso e com o da injúria racial, não desanimo e continuo querendo fazer o meu trabalho da melhor maneira possível”, reforçou. Para o recepcionista, o Brasil ainda tem muito o que melhorar no que se refere à questão racial e combate ao preconceito.

Por meio de nota, a Caixa Econômica Federal informou que repudia atitudes racistas ou de discriminação cometidas contra qualquer pessoa, e ressaltou que prima pelo respeito à diversidade de raça, origem, etnia, gênero, cor, idade ou classe social, sempre pautada pelo respeito às diferenças.

O banco disse ainda que informações sobre eventos criminosos são repassadas exclusivamente às autoridades policiais, e ratifica que coopera integralmente com as investigações dos órgãos competentes.