Uma mulher foi detida, na tarde desta segunda-feira (17), após se envolver em uma confusão com agentes da Guarda Municipal de Vila Velha. Ela estava de moto e teria tentado furar uma interdição feita pelos agentes na Avenida Carlos Lindenberg, na ponte de Cobi de Cima.
O caso aconteceu por volta das 15h30, depois que os agentes colocaram manilhas na via para bloquear o trânsito. A mulher foi impedida pelos guardas de passar pelo bloqueio e, por causa disso, começou a gritar com eles.
Os agentes algemaram a motociclista e levaram para a Delegacia Regional de Vila Velha. Depois da confusão, carros e motos voltaram a passar pela ponte.
Um vídeo feito por uma pessoa que presenciou a briga mostra o momento em que a mulher discute com os guardas. Em determinado momento, enquanto a mulher é algemada, populares se reúnem em torno dos agentes. De repente, um deles saca a arma e vai atrás de um homem, chegando a apontar o revólver para ele. O homem, no entanto, entra em um carro e vai embora.
“Botaram revólver e arma de choque em todo mundo. Tinha uns 20 a 30 pessoas aqui, viram tudo. Então tem que dar um jeito. Ou eles consertam isso aqui ou nós vamos meter o trator”, ameaçou o pedreiro Jackson Homero.
Interdições
Interdições, como a ocorrida na tarde desta segunda-feira, têm sido constantes na ponte de Cobi de Cima desde que uma pedra de 800 toneladas se desprendeu e rolou, parando em cima da linha férrea que passa pelo bairro. O caso aconteceu no dia 19 do mês passado.
Um prédio, construído em cima da pedra, foi interditado. O trabalho para a remoção da rocha começou uma semana depois e já terminou. A linha de trem já foi liberada. No entanto, a ponte que passa por cima continua fechada, já que ainda não passou por reforma.
Apesar de a Guarda Municipal frequentemente interditar a via, moradores da região, revoltados com a situação, liberam a pista novamente. “Eu estou ilhado aqui. Não consigo sair de carro para lugar nenhum, nem para Vila Velha nem para Vitória. Simplesmente eles vêm, fecham e deixam a gente trancado aqui. E tem idosos que moram aqui no morro que dependem da via para ir ao médico. Às vezes a gente tem que tirar [o bloqueio] no meio da noite para o morador ser socorrido, porque a ambulância não tem como passar”, contou o mecânico hidráulico, Ilson Costa de Oliveira.
Os moradores alegam que não receberam nenhuma explicação, por parte da Prefeitura de Vila Velha, sobre as interdições e nem sabem quando a rotina no local vai voltar ao normal.
“A gente ainda argumenta, falando que a interdição prejudica quem tem comércio e depende da pista para sobreviver. Mas eles têm coragem de chegar na nossa cara e dizer: ‘não é problema nosso. Eu não tenho nada a ver com isso. É problema seu’. O que acontece é que simplesmente eles vêm com a arma para reprimir a gente. Isso é abuso de autoridade. Mas a gente é trabalhador e só quer levar o pão de cada dia para casa”, afirmou Ilson.
Um dos comerciantes da região que alega sofrer prejuízos com as constantes interdições é José Maria Rebuli, que possui uma loja no bairro há mais de 30 anos. Ele reclama que, nesse período, nunca havia passado tanto tempo sem vender nada.
“Ninguém resolve. A Guarda Municipal vem aqui e fecha e aí o pessoal abre. E fica desse jeito aí. Eu estou parado aqui já tem mês. Meus clientes vêm ali debaixo, mas voltam”, lamentou.
O outro lado
Por meio de nota, a Prefeitura de Vila Velha informou que a liberação da via depende do prédio existente na região. Segundo a prefeitura, os proprietários devem apresentar um projeto de reforço do prédio.
Além disso, de acordo com a administração municipal, falta a ferrovia construir um muro de contenção. A prefeitura disse também que a Defesa Civil municipal vai fazer uma reavaliação do local nesta terça-feira (18).
Sobre a ação da Guarda, a prefeitura informou que a equipe foi ao local para manter a interdição determinada pela Defesa Civil do município e do Corpo de Bombeiros e que apenas respondeu às agressões da motociclista.
Já o proprietário do prédio localizado na região disse que já contratou o engenheiro que vai fazer a pilastra de contenção.