Acusado de ter encomendado o assassinato da médica Milena Gottardi junto com o filho Hilário Frasson, Esperidião Carlos Frasson afirmou, em depoimento prestado na última quarta-feira (25), que não tem nenhum tipo de envolvimento no crime, tampouco sabe o motivo da morte da ex-nora.
“Não é verdadeira a acusação que recai sobre mim. Não tive envolvimento nenhum na morte de Milena, não sei quem a matou, nem o motivo”, disse.
Ao ser interrogado pelo juiz Marcos Pereira Sanches durante a audiência, que aconteceu no Fórum Criminal de Vitória, o acusado disse ainda que vendeu parte de uma das suas terras para ajudar Milena com uma quantia de R$ 100 mil quando ela voltou do curso de residência que fez em São Paulo.
“Eu ajudei Milena financeiramente para que pudesse fazer a residência em São Paulo. Na verdade, ajudei quando ela voltou cheia de dívidas. Enquanto estava lá, minha esposa ficou dois meses para ajudar com as crianças e com a casa e quando Milena voltou, vendi um pedaço de terra para ajudá-la com R$ 100 mil. Não recebi o dinheiro, nem cobrei. Dei para ela e Hilário”, afirmou Esperidião.
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Durante o depoimento, o pai de Hilário falou também sobre a separação do casal e afirmou que lutou muito para que o divórcio não acontecesse, inclusive chegou a ir até a residência dos dois para tentar uma reconciliação.
“Foi um choque porque não esperava. Lutei muito para que isso não acontecesse, mas não fiquei bravo ou chateado por ter ajudado a Milena. Nunca ficaria bravo com ela. Eu e minha esposa não queríamos a separação e após a notícia do processo, eu, ela e a mãe de Milena fomos diversas vezes à casa deles para tentar reconciliá-los. Não por não aceitar a separação, mas por não querer que ela se efetivasse por causa das crianças. Pelo o que sabemos, Hilário tratava ela muito bem e apesar de não querer se separar, não a agrediu. Ela nunca reclamou sobre o comportamento dele”, disse.
Questionado pelo Ministério Público sobre o motivo de não ter ido ao velório de Milena, sobre sua inocência e também sobre a personalidade da médica e o comportamento da mesma com as filhas, ele se reservou ao direito de ficar em silêncio. Ao ser interrogado sobre a carta deixada por Milena, ele contou que soube do documento apenas no momento da audiência e que não sabe se os fatos narrados foram inventados.
“Eu ouvi falar da carta que Milena deixou nesta sala e não sei se ela inventou os fatos que narrou. Nunca vi ela inventar nada, mas como aconteceu isso, não sei. Ela não maltratava suas filhas, nem deixava ninguém fazer isso. Era muito amorosa com elas”, acrescentou.
No fim do depoimento, Esperidião falou que pretende vender sua propriedade localizada em Timbuí, no distrito de Fundão, e se limitou a dizer que é inocente. “Por enquanto a propriedade não está à venda, mas pretendo vender. Tenho muita vergonha de estar nesta situação. Sou inocente no processo”, afirmou.
O crime
A médica foi baleada no Hospital das Clínicas, em Vitória, no dia 14 de setembro do ano passado. Um dos tiros atingiu a cabeça dela. Ela chegou a ser internada, mas morreu no dia seguinte, no hospital. Hilário e o pai dele, Esperidião Frasson, são acusados de encomendar o crime. Para isso, eles teriam contado com a ajuda dos intermediários Hermenegildo Palauro Filho e Valcir Dias. O cunhado de Dionathas, Bruno Rodrigues, teria cedido a moto usada pelo executor no crime.