Polícia

"Nem todo mundo que mora no morro é vagabundo", diz família de homem baleado em Vitória em ação da PM

Segundo a polícia, o homem estaria armado e teria atirado nos militares durante uma tentativa de abordagem no Morro da Conquista. A família, no entanto, afirma que ele não estava armado e que não tem envolvimento com a criminalidade

Foto: Reprodução TV Vitória

A família do homem baleado durante confronto entre militares e criminosos no Morro da Conquista, em Vitória, afirma que o rapaz não tem envolvimento com o mundo do crime. Wellington Araújo Vianna, de 31 anos, foi atingido nas costas na madrugada do último domingo (08).

Na versão dos policiais, o homem estaria armado e teria atirado nos militares durante uma tentativa de abordagem. A mãe dele, no entanto, afirma que o filho não estava armado e garante que ele não tem passagens pela Justiça.

Segundo a família, ele estava esperando a namorada na escadaria do bairro onde ela mora. Os moradores da região onde ocorreu o tiroteio afirmaram que, depois ser baleado, o homem gritou muito por socorro. A mãe só soube que o filho estava ferido na manhã de domingo, Dia das Mães.

Eu estava dormindo. Por volta de 5h ligaram e falaram que ele tinha sido preso. Eu perguntei o motivo e entrei em pânico“, disse.

A namorada do rapaz contou que saiu para comprar cerveja e deixou Wellington sentado na escada. Foi neste momento que os policiais chegaram. Ao retornar, ela não encontrou o namorado.

 “A gente estava em casa. É de costume a gente beber em casa. Todo fim de semana ele vem para cá. Eu deixei ele lá e desci para comprar bebida. A única coisa que fiquei sabendo é que pegaram ele, jogaram que nem um bicho no carro, todo ensanguentado. Fui em todas as delegacias e hospitais atrás dele e ninguém sabia onde ele estava“, contou a jovem.

A família questiona a ação da polícia e diz que a vítima é trabalhadora. Segundo a mãe, Wellington é pintor e não tem nenhuma passagem na polícia, nunca foi preso e nunca cometeu nenhum crime.

Nem todo mundo que mora no morro é vagabundo, tem pessoas de bem. Eles falaram que meu filho é vagabundo, mas meu filho não é. Se fosse, ele tinha várias passagens pela Justiça, mas ele não tem nenhuma“, afirma a mãe.

De acordo com informações que o hospital passou para a família, Wellington foi atingido por dois disparos nas costas. Ele está entubado, inconsciente e em estado grave. A mãe tentou ver o filho, mas afirma que não conseguiu.

Família foi à Corregedoria

Nesta segunda-feira (09), a família do rapaz esteve na Corregedoria da Polícia Militar para denunciar o caso. Eles querem que a corporação prove que Wellington tem envolvimento no crime.

Falaram que ele atirou contra a polícia. Ele nunca deu tiro contra a polícia, ele é um menino trabalhador. Eu quero provas“, disse.

O que diz a Polícia Militar?

Em nota, a Polícia Militar ressaltou que todo disparo de arma de fogo realizado por agente de segurança pública é investigado pela Corregedoria. 

“A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil para a devida apuração dos fatos. Cabe destacar que o referido indivíduo foi autuado, após a finalização da ocorrência e análise da autoridade policial de plantão, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, por tentativa de homicídio qualificada contra agente de segurança pública no exercício da função, por ter atirado com uma pistola ponto 40 contra os militares e associação para o tráfico e tráfico de drogas”, disse. 

A Polícia Militar disse ainda que caso os familiares, que alegam ação ilegal da polícia, tenham provas de que realmente houve alguma irregularidade, podem procurar a Corregedoria da PMES. 

“Todos os casos registrados são acompanhados de perto pelo Ministério Público do Espírito Santo, que também pode ser acionado por essas mesmas pessoas”, afirmou a polícia.

A Polícia Civil informou que suspeito de 31 anos permanece internado e será encaminhado ao Centro de Triagem de Viana ao receber alta hospitalar.

*Com informações da repórter Nathalia Munhão, da TV Vitória/Record TV.

Foto: Thiago Soares/ Folha Vitória
Gabriel Barros

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Graduado em Jornalismo e mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua desde 2020 no jornal online Folha Vitória.

Graduado em Jornalismo e mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua desde 2020 no jornal online Folha Vitória.