Mais de 300 homens foram presos no Espírito Santo durante a Operação Átria, realizada pelas superintendências da Polícia Civil em todo o país. Eles são suspeitos de cometerem crimes contra a dignidade sexual da mulher, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva. Os mandados foram cumpridos durante os meses de fevereiro e março.
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Além das prisões, foram realizadas várias ações itinerantes em municípios do interior, com atendimento às mulheres, palestras em escolas, orientação e diálogo com a população sobre a Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra a mulher.
Nesta quarta-feira (29), foram divulgados os detalhes da operação em coletiva de imprensa. A chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, delegada Cláudia Dematté, chamou a atenção também para o número de armas apreendidas: foram 22 ao todo.
Ela enfocou que esse armamento era usado para ameaçar mulheres que estavam passando por violência doméstica.
“A ação rápida de nossos policiais possibilitou, com certeza, que a vida dessas mulheres fossem salvaguardadas e vários feminicídios fossem evitados”, destacou.
Ela também informou que muitas prisões foram feitas por causa de homens que não cumpriram medida protetiva.
“Durante a operação, os relatos que tivemos de descumprimento de medida protetiva deram margem à representação pela prisão preventiva desses autores. Eles serão criminalmente responsabilizados”, explicou.
Um dos detidos é o ex-marido de uma mulher da Serra, que pediu para não ser identificada. Ela foi vítima de violência doméstica e tem medida protetiva desde novembro de 2021 contra o ex-companheiro. Ele já desrespeitou a determinação judicial três vezes. A última foi na quinta-feira (23) da semana passada.
“Nós ficamos juntos durante 10 anos. O relacionamento não deu certo, ele brigava muito. A gente se separou duas vezes. Ele sempre me disse que se eu arrumasse outra pessoa, ele iria me matar”, recorda.
Na última semana, ele foi até a casa dela novamente fazer ameaças. O homem de 31 anos, segundo a Polícia Civil, foi encaminhado no dia 23 de março para o Plantão Especializado da Mulher, onde foi autuado por lesão corporal, injúria, ameaça e descumprimento de medida protetiva, ambos na forma da lei maria da penha. Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana.
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“Infelizmente, a violência contra a mulher sempre existiu na nossa sociedade, fruto desse machismo estrutural e dessa cultura patriarcal, onde homens até hoje acham que a mulher é posse e propriedade”, afirma a delegada.
Origem do nome da operação
Átria é o nome da principal estrela da constelação denominada “Triângulo Austral” do hemisfério estelar sul. Tem coloração alaranjada e consta na bandeira do Brasil. Em alusão à posição de destaque da estrela, o nome dado à operação ilustra a ideia de reposicionar mulheres agredidas, retirando-as da condição de vítima e as devolvendo ao seu lugar.
Com informações da repórter Thainara Ferreira, da TV Vitória/RecordTV