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Polícia Federal prende líder de esquema de golpes contra o INSS em acampamento cigano

Prisão aconteceu em João Neiva durante a Operação Loki que desvendou ação de uma quadrilha que utilizava idosos em fraudes para obter benefícios do INSS no valor de R$ 5 milhões

Foto: Reprodução TV Vitória

Meio milhão de reais em joias e barras de ouro foram apreendidos num acampamento cigano em João Neiva, Norte do Espírito Santo, durante a operação Loki, da Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira (07). 

Os agentes investigam um esquema de corrupção que utiliza idosos para fraudar valores do Benefício de Prestação Continuada (BCP), do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial, todos programas gerenciados pelo INSS. No Estado, a operação teve a participação conjunta da Polícia Rodoviária Federal e da Coordenação Geral de Inteligência Previdenciária e Trabalhista. 

Um homem de 36 anos, natural de Minas Gerais, foi apontado como líder da estrutura de golpes e preso no local. Ele foi levado para a sede da PF, em Vila Velha, e será encaminhado para o Complexo Penitenciário em Viana. 

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Todos os outros participantes da quadrilha, inclusive os idosos, serão indiciados por estelionato, lavagem de dinheiro e podem ser presos. As penas somadas podem chegar a mais de 23 anos de condenação. Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão, sendo um na Serra e o restante em João Neiva. 

De acordo com a Polícia Federal, os prejuízos chegam a R$ 5 milhões. O superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas, acredita que o valor possa ser maior. 

“A fraude é muito grande. São R$ 5 milhões que a gente conseguiu detectar. Fora outras fraudes que podem ter sido praticadas contra auxílio emergencial, contra Bolsa Família, que ainda não foi contabilizado”, explicou.

Como funcionava o esquema

A PF diz que 38 pessoas fraudaram um total de 99 benefícios. A fraude começava com idosos acima de 65 anos, arregimentados pelos líderes do esquema, que se encaixavam nos pré-requisitos para requerer o Benefício de Prestação Continuada (BPCP). 

Eles compareciam em cartórios e diziam que não tinham mais documentos de identificação para requerer o benefício. Com isso, conseguiam criar novas identidades e novos CPFs. De posse dessas identidades, eram aprovados pelo INSS para serem inseridos nos programas. O valor dos benefícios que recebiam mensalmente era repassado para os chefes da quadrilha. 

“O trabalho todo começou a partir de uma prisão em flagrante que foi feita em 2020 pela Polícia Federal, onde foram apreendidos documentos. A equipe de inteligência analisou esses documentos e os benefícios que estavam sendo recebidos no momento do flagrante e identificou evidências de que aqueles documentos eram falsos. Idosos eram utilizados nesta ação. Eles davam entrada no requerimento junto ao INSS para obter o Amparo Social ao Idoso, benefício no valor de um salário mínimo”, confirmou Marcelo Ávila, coordenador geral de Inteligência do Ministério do Trabalho e Previdência. 

Operação faz referência ao deus nórdico da trapaça

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação vem de Loki, um dos deuses da mitologia nórdica, irmão de Thor. Ele é o deus da trapaça, da travessura, do fogo e também está ligado à magia, podendo assumir a forma que quiser. 

Nas histórias, Loki era traiçoeiro e de pouca confiança. Porém, o resultado de suas ações e de seus planos chegavam a beneficiar os deuses.

O deus foi vivido por Tom Hiddleston numa série da Marvel, lançado em 2021. 

* Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/Record TV