O grupo criminoso suspeito de matar Gilberto Ferraz de Sena Júnior, de 59 anos, em um golpe envolvendo contratação de serviços sexuais, já atuava há algum tempo com o mesmo tipo de crime no Brasil, de acordo com o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Tarik Souki.
Além disso, os integrantes da quadrilha possuem passagem por extorsão, no Estado do Rio de Janeiro, além de também serem investigados no Espírito Santo.
De acordo com o delegado, o modo de agir da quadrilha era sempre o mesmo. Eles chegavam a uma determinada cidade e lá anunciavam serviços por meio de aplicativos de “programas” sexuais.
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Eles ofereciam preços abaixo do comumente ofertado neste tipo de aplicativo, o que acabava por atrair as vítimas para encontros. Uma vez no local acordado para o programa, a vítima era ameaçada e extorquida.
O delegado relata ainda que a Delegacia Antissequestro (DAS) chegou perto de prender os criminosos.
“Eles estão praticando este tipo de crime já há algum tempo, então eles têm vários procedimentos em trâmite na DAS que também já estava bem próxima de prendê-los. Eles já vêm com essa prática há algum tempo, extorquindo, violentando, roubando as pessoas. É um grupo organizado que pratica esse crime e é sempre o mesmo modus operandi: eles viajam para determinada cidade, chega lá eles começam a anunciar que estão naquela cidade por meio de alguns aplicativos que as pessoas que procuram esse tipo de serviço acessam muitas vezes”, afirmou Souki.
Ainda de acordo com Souki, no telefone celular de um dos membros da quadrilha, foram encontrados vídeos de vítimas sendo extorquidas e violentadas pelos criminosos.
Segundo ele, as extorsões aconteciam mediante violência, ameaças e chantagens por parte do grupo criminoso.
“Eles anunciam que estão na cidade, oferecem um preço mais baixo, e atraem a vítima para aquele local. Inclusive no telefone de um desses criminosos, nós pegamos ainda alguns vídeos deles praticando o mesmo crime com algumas pessoas, extorquindo, espancando, violentando, ameaçando espalhar aquele vídeo, xingando, e obrigando ele a pagar um valor para que aquilo acabasse”, disse.
Segundo Souki, a vítima que aparece nas filmagens ainda não foi identificada e o trabalho de investigação continua.
Homem foi torturado e extorquido antes de ser morto
Gilberto Ferraz de Sena Júnior, de 59 anos, é o homem encontrado sem vida em um apartamento alugado no bairro Jockey de Itaparica, em Vila Velha. Ele morreu após ser vítima de um golpe envolvendo a contratação de serviços sexuais, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil (PCES), em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (22).
Ao detalhar a atuação dos criminosos no caso envolvendo a morte de Gilberto, Souki contou que a vítima foi ao encontro de um dos criminosos após ter combinado um programa sexual pelo valor R$ 100.
No entanto, depois de ter finalizado o atendimento, o suspeito afirmou que a quantia a ser paga, na verdade, deveria ser R$ 1 mil, dez vezes o combinado entre o criminoso e a vítima. A partir daí, conforme a polícia, os dois teriam começado a se desentender.
“A vítima chegou em um carro de luxo e eles identificaram o perfil financeiro mais alto. Na casa estavam três homens e uma transexual. Os três desceram, a vítima entrou para fazer o programa, como tudo estava combinado eles foram acionados, entraram na residência, ocorrendo uma discussão”, contou o delegado.
O delegado também disse que, após as discussões, a situação se desenrolou para para agressões e até mesmo tortura contra a vítima, o que resultou em sua morte.
“Amarraram, amordaçaram, enforcaram, espancaram, torturaram de inúmeras maneiras: deram choque, esquentaram ferros e queimaram”, afirmou.
Após terem agredido e torturado a vítima, um dos suspeitos de participação no crime teria ligado para o irmão, pedindo ajuda para que o carro de luxo e um aparelho celular iPhone 14 que pertenciam a Gilberto fossem vendidos.
Envolvidos no crime identificados pela polícia:
Presos:
-Simão Pedro de Novaes Brito, de 20 anos, preso em Venda Nova do Imigrante
Foragidos:
– Suspeito (Brasília), 20 anos
– Suspeito (capixaba), 21 anos
– Samuel Novaes Brito, de 22 anos, preso em Vila Velha
– Mulher trans (Joinville, Santa Catarina), 25 anos
Câmeras registram chegada da vítima ao local do crime
Imagens gravadas por câmeras de videomonitoramento da região, no último dia 18, mostram o momento em que Gilberto chega ao local alugado pelos criminosos para a aplicação de golpes. Veja abaixo:
Criminosos fugiram após a morte da vítima
Após a morte de Gilberto, os criminosos decidiram deixar o corpo da vítima na residência no bairro Jockey. Câmeras de videomonitoramento também flagram os quatro suspeitos fugindo da residência às 18 horas. Veja as imagens:
O delegado Souki acrescentou que os quatro criminosos pegaram um veículo por aplicativo e seguiram para a Rodoviária de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Enquanto isso, o quinto investigado por suposta participação no crime permaneceu na casa de familiares no Espírito Santo.
“Na segunda-feira já descobrimos onde estava a casa da mãe de um desses indivíduos, ela falou que ele esteve lá na casa. Entretanto, ela ligou para eles e avisou da polícia”, narra Souki
Ainda conforme o delegado, os criminosos resolveram se separar em Minas Gerais. Um deles, ao não ter para onde ir, voltou para o Espírito Santo e tinha vontade de até mesmo fugir do país, ação que não foi executada.
Um dos criminosos foi preso em Brejetuba
Segundo o superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo (PRF), Wemerson Mário Pestana, a polícia entrou em contato com a gestão da PRF identificando inclusive a poltrona do homem que estava em Minas Gerais.
“Os nossos policiais foram até a localidade de Brejetuba para realizar a prisão. Também tínhamos a informação de que esse elemento iria usar o documento do irmão, o que realmente foi feito”, descreve o superintendente.
Na ação, o suspeito foi retirado do veículo; apesar de inicialmente ter negado vínculo com o caso envolvendo a morte de Gilberto, ele terminou por admitir que havia participado de um crime e que era procurado pela Polícia Civil.
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