A segurança pública na Grande Vitória foi tema de uma reunião no Plenário Dirceu Cardoso, da Assembleia Legislativa do Estado (Ales), na noite de segunda-feira (3). Na oportunidade, foi debatida a insegurança nos comércios capixabas, que sofrem com diversos arrombamentos e atos de violência. Além disso, também foram comentados os recentes atentados contra a Rede Vitória durante coberturas jornalísticas na região metropolitana do Estado.
O evento faz parte da agenda da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Ales e contou com a presença do superintendente de conteúdos da Rede Vitória, Alexandre Carvalho, membros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Espírito Santo (Sindijornalistas), representantes de entidades do comércio e lideranças comunitárias. Também estiveram presentes os jornalistas Waslley Leite e Talita Carvalho, e o cinegrafista Patrick Loureiro, que foram vítimas da violência contra a imprensa nos últimos dias.
O deputado estadual Delegado Danilo Bahiense (PSL), presidente da comissão, afirma que o debate foi produtivo. Segundo ele, na comissão é gerado um relatório – com todas as revindicações da reunião – que será apresentado à comissão em uma sessão ordinária na qual ocorrerão deliberações, como criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou criações de Projetos de Lei (PL), por exemplo.
“A comissão é uma interlocução entre a sociedade e segmentos com o Governo do Estado. Nossa comissão tem tudo para funcionar e tem que funcionar como está funcionando, afinal, ela possui dois delegados, um coronel, um capitão e um investigador. Então, ela tem tudo para dar certo. Essa reunião de hoje é muito importante para ouvir os segmentos do comércio e também a imprensa. Nós tivemos dois casos lamentáveis, que aconteceram recentemente contra a imprensa, mas, graças ao trabalho desenvolvido pela polícia judiciária, indivíduos foram identificados e ouvidos. Mas a importância maior, além de ouvir os segmentos, é que, certamente, será criada uma comissão para discutir esse assunto. Fora o fato de termos agora um caminho aberto com a imprensa”, diz.
Para o superintendente de conteúdos da Rede Vitória, a imprensa representa um símbolo. Alexandre Carvalho explica que a violência contra os profissionais da Rede Vitória é uma realidade vivida diariamente pela comunidade que reside em bairros com vulnerabilidade.
“É fundamental que a sociedade passe a discutir segurança pública, que vai muito além de polícia na rua ou não. Mas o que é importante, quando discutimos a questão de violência contra a imprensa e trazemos para a Assembleia, não é necessariamente a violência contra o jornalista que está em pauta. O que eu acho é que a gente não pode se acostumar com a violência. Violência não pode ser algo normal. Quando a imprensa é atacada, ele é, tão somente, um símbolo disso. Jornalista não é mais ou menos, ele é um cidadão. É isso que é importante. Não podemos admitir que o cidadão seja atacado. Nos mesmos bairros onde ocorreram os atentados contra a Rede Vitória, nós noticiamos seis homicídios. Isso é importante. É para isso que a imprensa serve, para mostrar o que está acontecendo naquela comunidade e dar voz àqueles que vivem diariamente essa violência”, diz Carvalho.
Incêndio
No último dia 6 de maio, um veículo de reportagem da TV Vitória/RecordTV foi incendiado por criminosos durante uma operação integrada entre a Polícia Civil e Polícia Militar, na região do morro do Bonfim, em Vitória.
Dois principais suspeitos de envolvimento no incêndio foram identificados. Um deles é Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, que é um dos comandantes do tráfico de drogas no Bairro da Penha. O outro é Geovani de Andrade Bento, o Vaninho, acusado de cinco homicídios e também envolvido com venda de entorpecentes.
Ameaça
Durante a exibição do programa Cidade Alerta Espírito Santo, da TV Vitória/RecordTV, na última quinta-feira (30), uma equipe de reportagem da emissora foi hostilizada por supostos criminosos nas imediações do bairro Santos Dumont, em Vitória.
O repórter Waslley Leite e o cinegrafista Patrick Loureiro estavam no local para falar sobre uma operação que acontecia no bairro quando foram ameaçados ao vivo. Os criminosos os ameaçaram de morte e os obrigaram a encerrar a transmissão.
A polícia informou que também identificou os responsáveis pela ameaça. Contudo, os nomes não foram revelados.