Política

Especialistas do ES dão dicas para manter amizades nas redes sociais após as eleições

Em época de eleição, não é só no horário político e nos debates da TV que as divergências políticas ficam mais expostas. Debate político tem provocado discussões nas redes socias

Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos Foto: Divulgação

“Amigo é coisa pra se guardar”… Quando o assunto é política e relações de amizade, é melhor ficar apenas com esse trecho da canção. Consagrada na voz de Milton Nascimento, “Canção da América” declama, em seus versos, a amizade inabalável, acima de qualquer tempestade. Mas as discussões sobre política nas redes sociais têm causado consequências na vida real.

Simpatizantes e militantes dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) têm transferido as alfinetadas distribuídas durante o horário político e o clima quente dos debates da TV, para o Facebook e Twitter. O espaço virtual se tornou um palco de grandes duelos, onde amigos se exaltam, se ofendem e, por fim, se bloqueiam. É o caso do jornalista Tiago Oliveira, 30 anos, que expõe publicamente seu posicionamento político em sua página no Facebook. “Vários amigos já deixaram de falar comigo. Pessoas que viviam me curtindo. Parece que as pessoas não estão preparadas para separar as duas coisas”, afirmou.

Para Fernando Mendes, especialista em mídias sociais, as pessoas precisam focar apenas no debate de ideias e não levar para o lado pessoal. “Há um meme nas redes sociais que diz o seguinte: “é preciso amar as pessoas como se não houvessem eleições.” A paródia da música deve ser aplicada em nosso dia a dia. As pessoas precisam focar apenas no debate de ideias. Eu posso discordar de algo que você diz, mas isso não quer dizer que não gosto de você. O problema do debate político é que a minha verdade é mais verdade que a sua. Como tem sido reproduzido no debate entre os presidenciáveis”, explicou.

Mendes ressalta que o debate entre eleitores é saudável, e aconselha manter a serenidade durante os embates. “É importante manter um comportamento sereno e cordial. Debata com argumentos, números e fatos. Há espaço para ideologias contrárias, afinal, o saudável do debate é que ambas as partes saiam enriquecidas de mais informações ou que gere novas reflexões. Se um amigo ou conhecido começa a perder a cabeça ou fizer ataques, sugiro que apenas ignore ou bloqueie até passar o dia de votação. É como jogo de futebol, após o final da partida todos voltam a ser amigos. Com os políticos não é assim? Hoje aliado, amanhã oposição”,  salientou.

O microempresário Breno Fonseca declarou não ter problema em bloquear amigos. Segundo ele, várias pessoas não estão mais sendo seguidas em suas redes sociais. “ Eu brigo mesmo. Não só nas eleições nacionais, mas nas estaduais e municipais. Esse ano mesmo já bloqueei várias pessoas”,  revelou.
Para o professor de Cibercultura e Novas Mídias da UFES, Fábio Malini, a política mexe com a paixão das pessoas, o que causa um pouco de irracionalidade. “ Os conflitos se dão pela paixão. O lado passional acaba falando mais alto. Embora seja necessário manter a racionalidade para debater com argumentos bem preparados”, frisa.

Malini afirma ainda que os relacionamentos nas redes sociais são frágeis e que as amizades desfeitas na Internet nem sempre são com amigos íntimos. “ A internet é um lugar de laços delicados. Muito dificilmente alguém vai brigar com um amigo do peito na Internet. Você entra em confronto com pessoas mais distantes, que não possui um convívio diário. De qualquer forma, é preciso exercer a tolerância durante as discussões”, define.