O PSB encerrou na segunda-feira (31) os congressos municipais para eleger os novos diretórios e executivas que estarão no comando do partido do governador Renato Casagrande nos municípios pelos próximos três anos.
Agora, a legenda que fez o maior número de prefeitos na eleição passada (22), se prepara para o congresso estadual – que, a princípio estava marcado para o dia 24, mas será antecipado para o dia 23 deste mês a pedido do prefeito do Recife (PE), João Campos, que participará do evento, conforme noticiou a coluna, ontem.
Bastante aguardado pelos militantes, o Congresso Estadual do PSB vai dar as primeiras sinalizações sobre o rumo que o partido irá tomar nas eleições estaduais do ano que vem, quando os cargos de governador, vice, senadores, deputados federais e estaduais – além do cargo de presidente da República e vice – estarão em jogo.
Embora a Executiva estadual do PSB, em reunião realizada em fevereiro, já tenha definido que o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) terá o apoio do partido para a disputa ao Palácio Anchieta e que Casagrande será o nome da legenda para disputar o Senado, ainda há muito para se discutir sobre a formação de chapas, filiações de novos quadros e conjuntura política.
Além disso, o congresso também vai definir o novo presidente estadual do PSB, que será responsável por comandar uma das maiores legendas do Estado durante as eleições de 2026.
Hoje, ainda não está definido quem será eleito. O atual presidente, Alberto Gavini, que já está à frente do partido por dois mandatos (seis anos), teria a preferência da maioria para continuar. Mas, há uma ala que defende uma oxigenação no comando da sigla e uma disputa silenciosa nos bastidores.
Hoje, quatro nomes são cotados para presidir o partido:
- O atual presidente, Alberto Gavini, que é diretor-geral da Aderes (Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo);
- O atual secretário-geral do PSB-ES, Paulo Menegueli, que é o diretor-geral da Junta Comercial;
- O secretário estadual da Saúde e deputado estadual licenciado Tyago Hoffmann;
- O deputado federal Paulo Foletto, que já presidiu o partido.
Publicamente, ninguém admite o interesse em presidir o partido – nem mesmo Gavini. Mas, algumas lideranças e militantes ouvidos pela coluna afirmaram que, nos bastidores, a disputa estaria a todo vapor pelo cargo.
Além de prestígio e status, o cargo de presidente partidário confere ao dono da cadeira o poder de definir as coligações e candidaturas e, principalmente, o quanto será investido ($$) em cada candidato.
“Tenho a preferência, mas ainda não decidi”
Procurado pela coluna, Gavini disse que ainda não definiu se irá continuar ou não à frente do partido. Ele afirmou que teria, pelo partido, a preferência em continuar no cargo, mas que ainda não decidiu.
“Vou avaliar se continuo como presidente, já são seis anos à frente do partido, também cansa. Em princípio, tenho a preferência. Existe, sim, uma vontade dos filiados pela minha permanência. Mas não vou tomar essa decisão agora. De qualquer forma, vou continuar na Executiva e trabalhar na montagem das chapas”, disse Gavini.
Ele afirmou que não haverá disputa interna pelo cargo e admitiu o nome dos outros três – Tyago, Foletto e Menegueli – como possíveis postulantes à presidência.
“Se eu decidir não ser mais o presidente, outros companheiros serão. Qualquer um dos três poderia assumir o partido. Mas, não haverá disputa. Ninguém vai disputar comigo e nem eu vou disputar contra ninguém. Será decidido em consenso”, disse Gavini.
“Melhor opção é Gavini”
O secretário-geral do PSB-ES, Paulo Menegueli, negou o interesse em presidir o partido, embora tenha admitido que alguns filiados cogitam a possibilidade. Ele defendeu a permanência de Gavini.
“Alguns membros cogitaram, mas a melhor opção é a permanência de Gavini. Eu apoio o Gavini”, disse Menegueli, negando que haja qualquer resistência interna à continuidade do atual presidente.
Segundo a coluna apurou, Menegueli seria uma opção apoiada pelo próprio Gavini, caso o presidente decida não continuar à frente da legenda. Ele é considerado aliado e o braço direito do dirigente nas demandas partidárias.
O mandato da atual executiva termina em maio.
“Partido estará unido”
Ao ser questionado sobre o assunto em entrevista anterior à coluna (início de março), o secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann, não admitiu que tenha interesse em comandar o partido – embora a ala socialista que defenda uma oxigenação, cite seu nome.
Ele disse, porém, que a única coisa certa é que o partido estará unido na decisão. “Não haverá nenhum tipo de disputa. O partido estará unido em torno do projeto liderado pelo governador Casagrande. Será uma decisão de consenso, visando o melhor para o partido, para todos os envolvidos e para o projeto que o governador lidera”.
Tirando Gavini, Tyago seria o mais cotado para presidir a legenda. Faz parte da cúpula do Palácio Anchieta, é aliadíssimo do governador e na eleição passada desempenhou um papel importante no partido, de percorrer o Estado representando o governo no palanque dos aliados – para isso, teve de abrir mão de sua candidatura a prefeito de Vitória.
Mas, há um porém que pode impedir, ou ao menos dificultar, a ascensão de Tyago à presidência do ninho socialista: Tyago é pré-candidato a deputado federal na eleição do ano que vem.
Não há, no estatuto do PSB, nada que impeça candidatos de presidirem a legenda. Mas, há uma regra não escrita, seguida por tradição no partido, de filiados que são candidatos ficarem longe de postos de comando na legenda, para evitar conflito de interesses e atritos com outros candidatos.
Como já dito aqui nesse espaço, é o presidente da legenda quem define as candidaturas prioritárias, as “apostas” do partido para a eleição. E é a partir dessa escolha que é definido o recurso que cada candidato irá receber para a campanha.
Na eleição passada para a Assembleia (2022), candidatos do PSB reclamaram do tratamento dado pelo governo à campanha de Tyago. Alegavam que a candidatura do hoje secretário foi priorizada em detrimento das demais.
Por isso, há uma certa resistência a Tyago se tornar presidente, não com relação ao nome dele especificamente, mas sim a qualquer um que tenha o interesse em disputar a eleição e queira concorrer à presidência do partido.
“Se Tyago quiser ser presidente, vou disputar contra ele”
E um dos resistentes é o deputado federal Paulo Foletto. Questionado pela coluna sobre o assunto, ele disse ser contrário a entregar o comando do partido para quem for disputar a eleição e ameaçou ir para a disputa se isso ocorrer.
“Acho que quem é candidato não deve ser presidente, para não misturar as coisas e não arrumar conflito. Não há essa prática dentro do PSB e não acredito que alguém irá mudar isso nesse momento”, disse Foletto.
Foletto é pré-candidato à reeleição e disse não ter o interesse em presidir o partido, mas colocou uma ressalva em tom de ameaça: disse que coloca o nome na disputa se Tyago Hoffmann ou qualquer outro candidato às eleições do ano que vem quiser presidir o PSB.
Descarto ser presidente, sou contrário a alguém que irá disputar a eleição ser presidente. Se Tyago quiser presidir o PSB, vou até ele dizer que não é uma boa. Se ele insistir, vou disputar contra ele”, ameaçou Foletto.
O deputado defendeu ainda que Gavini continue no posto. “Se o Gavini estiver cansado, não estiver disposto ou alegando outra coisa para não continuar, tem que falar mais cedo para que não estoure na semana da convenção. Mas, ele tem que ter consciência que, nesse momento, é ruim ele sair”, disse Foletto.
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