Seis horas depois de ouvir os convidados da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a emissão de poluentes na atmosfera, deputados contataram que técnicos ambientais são insuficientes e mal remunerados e trocam serviço público pela iniciativa privada nas empresas apontadas como poluidoras.
Na reunião realizada nesta quarta-feira (6), foram convidados o secretário Estadual de Meio Ambiente, Rodrigo Júdice, e a diretora-presidente do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema), Sueli Tonini.
Os deputados constataram nessa reunião que faltam técnicos suficientes na Seama e no Iema para realizar os estudos necessários das emissões de poluentes.
Segundo o deputado Gilsinho Lopes (PR), que é membro da CPI do Pó Preto, também foi identificada na reunião que os poucos técnicos que a Secretaria possui recebem salários que não são satisfatórios.
“O que acontece com os técnicos ambientais é semelhante ao que acontece com os jogadores de futebol que deixam os clubes que os formaram e seguem para o futebol do exterior. No caso dos técnicos, eles se formam nos órgãos ambientais do Estado, mas por conta dos baixos salários, eles vão para a iniciativa privada”, apontou o parlamentar.
Ele explicou que uma alteração na legislação ambiental também é necessária, já que a mesma empresa que tem de fiscalizar as empresas também presta consultoria. O que deveria ser conflitante, não é porque a legislação vigente não impede tal prática.
Visita
Na segunda-feira (4), os integrantes da CPI do Pó Preto realizaram a primeira visita técnica prevista. Todos os membros da comissão visitaram as dependências da ArcelorMittal junto com o professor de poluição do ar do departamento de Engenharia Ambiental da Ufes, Neyval Costa Reis Junior, convidado pelos deputados.
Foram cinco horas de visitação. Os deputados puderam ver de perto o tombamento de vagões carregados de minério sobre as correias que transportam a carga para as outras unidades de produção.
“Como o processo de tombamento da carga é feito com auxílio de jatos de água, não verificamos, nessa operação, a presença de poeira no ar”, afirmou Erick Musso (PP), vice presidente do colegiado.
Embora a constatação do deputado Erick tenha fundamento, o deputado Gilsinho é favorável que a comissão realize visita surpresa às empresas. Segundo ele, durante o tempo de visita dos parlamentares à empresa foram vistos 23 carros-pipas molhando a área, mas não há como saber se essa é uma prática. A única forma de saber seria com visita surpresa.
As próximas visitas técnicas agendadas a serem realizadas pela CPI são às mineradoras Vale, em Vitória, na sexta-feira (8), e na Samarco, em Anchieta, no dia 15.