Política

No ES, Damares se compara à menina Araceli, símbolo da luta contra abuso de crianças

Ministra lembrou em discurso que também foi vítima de violência sexual na infância ao cumprir agenda visitando viaduto em Vitória que homenageia Araceli Crespo

Foto: Jansen Lube/PMV

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se comparou à menina Araceli Crespo, estuprada e morta aos 8 anos de idade em Vitória, em 1973. A criança se tornou símbolo da luta contra a violência e abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes no Brasil. 

A fala da ministra aconteceu durante um evento que celebrou o Maio Laranja, na manhã desta terça (18), na capital. Ela cumpriu agenda do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, 18 de maio, mesmo dia do assassinato de Araceli. 

“Para mim é muito significativo estar aqui. O rostinho de Araceli marcou a minha vida. A história de Araceli é muito parecida com a minha com um desfecho diferente: eu sobrevivi”, afirmou. 

Em entrevistas sobre sua biografia ao assumir o ministério em 2019, Damares revelou que foi violentada por dois pastores da igreja que ela e a família frequentavam em Aracaju (SE). Aos 10 anos, ela pensou em se matar e contou que subiu em uma goiabeira com veneno de rato dentro de um saquinho plástico. A explicação do que a fez desistir foi “ter visto Jesus”.

No evento desta terça-feira (18), organizado pela Prefeitura de Vitória, ela visitou o viaduto que homenageia a menina Araceli e que contém um grafite com o rosto da criança, em Jardim Camburi. Foram lembradas outras crianças capixabas mortas por violência sexual como os irmãos Kauã e Joaquim, mortos em abril de 2018 em Linhares. Segundo a polícia, o crime foi cometido pelo pastor Georgeval Alves, que os estuprou, torturou e matou os dois meninos, incendiando o quarto com eles ainda vivos. 

Alves é padrasto de Kauã e pai de Joaquim. Quem compareceu também na homenagem foi a avó paterna de Kauã, a aposentada Marlúcia Butkowsky, de 59 anos, que cobrou mais empenho e atenção por parte das mães e das famílias em geral. 

Violência no ES

Em 2020, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou 495 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes de até 14 anos. Deste total, 403 se tratavam de estupro. Já neste ano, até o momento, foram registradas 162 violências sexuais, sendo 135 casos de estupros contra vulneráveis. Meninas foram as vítimas em aproximadamente 75% dos registros.

Violência no Brasil

Nos primeiros meses do ano, mais de 6 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas pelo Disque 100, canal de denúncias relacionadas às violações dos Direitos Humanos. É o que apontam dados do Governo Federal referente ao período de 1° de janeiro à 12 de maio de 2021.

No ano passado, o Brasil registrou mais de 303 mil denúncias ligadas aos Direitos Humanos. Cerca de 26% dos casos estão relacionados a violência contra crianças e adolescentes. Em comparação com o ano anterior, 2019, houve uma queda de 26% das denúncias deste tipo de violência. 

Segundo o Ministério da  Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a redução pode ser resultado de uma subnotificação provocada pela pandemia do novo coronavírus. 

*Com informações da repórter Nathalia Munhão, da TV Vitória/Record TV. 

Foto: Thiago Soares/ Folha Vitória
Gabriel Barros Produtor web
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Graduado em Jornalismo e mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Ufes. Atua desde 2020 no jornal online Folha Vitória.