Polêmica de Guarapari: vereadora quer que toque de sino seja patrimônio cultural

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Polêmica de Guarapari: vereadora quer que toque de sino seja patrimônio cultural

Rosana Pinheiro (Cidadania) defende em projeto que o hábito de badalar sinos nas igrejas possa ser preservado não podendo mais ser interrompido

Marcelo Pereira

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução/ Instagram/ @pnscguarapari

A história do sino da igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari, ganha um novo capítulo. 

Depois de mobilizar católicos e evangélicos em defesa das badaladas, que incomodou um morador vizinho da paróquia chegando, inclusive, a acionar o Disque-Silêncio da prefeitura da cidade e o Ministério Público Estadual, a vereadora Rosana Pinheiro (Cidadania), quer declarar o badalar dos sinos das igrejas da cidade (e as manifestações religiosas) como “Patrimônio Cultural Imaterial” do município.

A proposta foi apresentada durante a sessão da Câmara Municipal de Guarapari na noite da última terça-feira (23). O projeto de lei 254/2021 da vereadora foi encaminhado para as comissões permanentes a fim de ser analisado.

Segundo a Câmara, a iniciativa surge como uma resposta pública, em nome do Poder Legislativo, à disputa judicial envolvendo a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Centro, e o morador da vizinhança. Porém, o advogado Gabriel Merigueti, que representa o cidadão que reclamava, afirmou na semana passada que não havia nenhum processo ou ação jurídica contra a Igreja Católica ou contra o padre Diego Carvalho, responsável pela paróquia.

O projeto considera, como patrimônio cultural imaterial de Guarapari, as manifestações religiosas, os festejos, as tradições cristãs, as celebrações e as procissões dos devotos dos padroeiros de Guarapari (São Pedro e Nossa Senhora da Conceição), assim como o badalar dos sinos das igrejas, os festejos da Quaresma, da Páscoa e do Natal, e os demais eventos das igrejas e comunidades eclesiais de base. 

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Na prática, sendo considerados patrimônios, o poder executivo seria obrigado a apoiar e a preservar essas tradições. 

O toque dos sinos de Minas Gerais, nas cidades históricas de São João del Rei, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas do Campo, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes, é considerado patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Foto: Assessoria de Comunicação da Câmara de Guarapari
Vereadora Rosana Pinheiro (Cidadania) quer proteger, além dos sinos, as festas religiosas da cidade

“Nosso projeto se justifica pela preocupação de toda a sociedade guarapariense com a denúncia - já formalizada no Ministério Público do Espírito Santo - de que o badalar dos sinos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição causa poluição sonora. Mas há décadas os sinos da paróquia são badalados, no Centro de Guarapari, de forma a valorizar a história da cidade e a fé da população. Portanto, nossso interesse, com esta proposição, é preservar seus ritos religiosos e a liberdade das manifestações cristãs do seu povo. Nosso objetivo é garantir que os sinos sejam badalados em todas as igrejas de Guarapari”, explicou Rosana.

Entenda o caso

No final da missa do domingo, 14 de novembro, o padre Diego Carvalho, responsável pela paróquia Nossa Senhora da Conceição, no centro de Guarapari, fez um desabafo junto aos fieis. Ele disse, na ocasião, que estava sendo processado por um vizinho da paróquia que se incomodou com o som do sino.

Foto: Reprodução Instagram

O sino da igreja toca cinco vezes ao dia: às 6h, 9h, meio-dia, 15h e às 18h. Segundo o sacerdote, os horários marcam as chamadas horas canônicas e a duração do toque é de um minuto. Ele disse não entender o motivo da reclamação já que se trata de uma atividade tradicional religiosa e acatada pelos católicos. 

O padre recebeu apoio nas redes sociais em defesa do sino. Foi criada uma hashtag #OSinoNãoPodeParar que engajou mais e mais internautas. O caso tomou tal proporção que, inclusive, evangélicos tomaram as dores do sacerdote católico e participaram de uma manifestação na última quinta-feira (18) em frente à igreja. Espíritas também participaram.