Mesmo licenciado após cirurgia na bexiga, o governador Paulo Hartung concedeu entrevista à jornalista Miriam Leitão e tratou de pontos determinantes em relação à crise na segurança pública do Espírito Santo. O governador disse ainda que, apesar das recomendações médicas, deve voltar ao posto exercido momentaneamente pelo vice, César Colnago, na segunda-feira (13).
Hartung declarou que os números passados por militares, familiares e amigos em relação aos vencimento dos policiais do Espírito Santo é equivocado. De acordo com o governador, apesar de militares apontarem o salário do soldado, de R$ 2.859, como o menor do país, o valor praticado no Estado seria o décimo no país.
“Isso é por conta do nosso tamanho. Mas é um salário em dia. Progressões e promoções estão sendo pagos. Não tem nada de 7 anos sem aumento. A cada movimento como esse inventam uma tabela. Os salários não precisam ser iguais. Já imaginou o salário do Acre igual ao salário de São Paulo”, indagou Hartung.
O governador licenciado também pregou firmeza nas investigações dos crimes praticados durante a paralisação dos policiais militares. “A sociedade capixaba está muito preocupada com esses crimes. Queremos elucidar cada um deles”, determinou.
Oficiais “coniventes”
Apesar de evitar o que chamou de “juízo de valor” em relação à coronéis e outros oficiais das forças militares estaduais, Hartung apontou como coniventes um grupo deles.
“Um grupo foi completamente conivente. A população fica solidária a pedidos de grupos corporativos. Essa conta vai ser paga pelo povo e precisamos ensinar isso. As corporações tiveram talento em transformar pleitos pessoais em interesse público”, disparou, e continuou dizendo que “o interesse público hoje não é olhar para quem tem estabilidade, é olhar para quem não tem emprego, para os empresários que estão perdendo tudo”.
O governador aproveitou o tema para oferecer uma reflexão relacionada ao reajuste amplamente discutido não só no Espírito Santo, mas em todo Brasil.
“Teremos que pensar se faz sentido aposentar uma pessoa com 50 anos de idade. Precisamos olhar para sociedade e discutir as coisas e não se dobrar a esse tipo de chantagem”, disse, ainda se referindo ao movimento de policiais militares no Estado.
Covardia
O governador ainda declarou que o movimento foi montado a partir do momento em que prováveis organizadores souberam que ele seria internado, o que classificou como covardia.
“Isso é desumano. Já estávamos negociando. Mas Deus é bom e vamos sair muito melhor, talvez até ajudando o país a discutir as questões de policiais militares do Brasil”, afirmou.
Hartung também se mostrou otimista ao falar da atuação de militares da Força Nacional, Exército Brasileiro e Marinha do Brasil no Espírito Santo, o que classificou como um possível exemplo para todo o país. “O controle foi passado para o general, mas o secretário de Segurança Pública continua atuando, o Comandante da PM continua em atuação. É disso que precisamos. Antes diziam que segurança era um problema dos estados, mas o que acontece hoje no Espírito Santo é uma integração. Em vez de competição, integração”, determinou o governador, que aproveitou a situação para exaltar o caminho apontado por ele para o Espírito Santo.
“Eu acho que estamos num ajuste na medida certa. Estamos conversando com a sociedade o tempo inteiro, com o sindicato dos servidores o tempo inteiro, mostrando as contas. Estamos fazendo o que as famílias brasileiras estão fazendo. O ajuste capixaba não foi longe, é o certo. É o que precisa não só em outros estados, mas também na União”, declarou.
Panelaço
Durante a entrevista, moradores de bairros de Vitória e Vila Velha promoveram um “panelaço” contra o governador licenciado. Com panelas, apitos e buzinas, parte da população demonstrou descontentamento diante da atitude do político em relação às negociações com o movimento de paralisação da Polícia Militar. Confira os vídeos: