Você já ouviu falar em free flow ou fluxo livre? Este é um tipo de pedágio em que motoristas que trafegam por uma certa região são cobrados de forma fracionada, ou seja, cada um paga pela quantidade de quilômetros rodados, sem necessidade de praças de cobrança.
Este é o modelo de pedágio que pode ser adotado na Terceira Ponte e na Rodovia do Sol, após o fim da concessão do governo do Estado à concessionária Rodosol, após 25 anos. Caso aprovada, a tecnologia será utilizada em um trecho de 67,5 Km das vias.
Quem deu a informação foi o secretário de Estado da Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno, em anúncio junto ao deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), presidente da Comissão Especial de Fiscalização da BR-101, BR-262 e da Rodovia do Sol, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, na última quarta-feira (3).
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O secretário afirmou que o estudo da atual concessão foi realizado há 30 anos e que a localização da praça do pedágio foi escolhida pelo fato de os pagamentos serem feitos exclusivamente em dinheiro, o que exigia a instalação de várias cabines para ter espaço.
Segundo ele, se fosse levado em conta apenas o fluxo de veículos, a praça deveria ter sido instalada na Barra do Jucu ou em Terra Vermelha, em Vila Velha. Ele afirmou que o free flow serve como um pedágio eletrônico, o que facilita o tráfego.
“Com o free flow (fluxo livre), será possível localizar melhor o pedágio. É possível trazer ele para o limite de Vila Velha com Guarapari, sem problema nenhum. Podemos ter vários pórticos para dividir os custos. Essa tecnologia permite que, com a placa do carro, seja possível fazer um outro tipo de cobrança. É uma espécie de pedágio virtual”, explicou Damasceno.
Outra preocupação, de acordo com ele, é também estabelecer um preço justo a todos que trafegam pela região: quem roda mais quilômetros, paga mais e quem roda menos, paga um valor menor, o que consequentemente diminuirá o preço.
Segundo o diretor-presidente da Rodosol, Geraldo Dadalto, que também esteve presente na reunião, a tecnologia facilitará o controle dos pedágios justamente por não precisar de uma grande praça, é necessário apenas um pórtico com três antenas.
Além disso, há duas formas de se monitorar a tecnologia: uma é o reconhecimento óptico da placa do veículo e a outra é por meio de rádio frequência, que reconhece um chip instalado no carro ou na motocicleta.
“Com o novo sistema, é possível encontrar soluções de fidelidade. Os usuários locais, os mais frequentes, são beneficiados. O sistema é todo automatizado. Não há mais cabine manual. Com o free flow, o motorista paga por quilômetro rodado. Quem percorre trecho maior, paga mais. Quem anda menos, paga menos”, contou Dadalto.
Ele ressaltou que é possível instalar vários pórticos, a cada cinco quilômetros “Então, quem vai de Vitória a Guarapari passará por cinco, seis pórticos. Quem circular em Guarapari, vai pagar mais barato”.
O diretor também fez uma comparação entre a tecnologia e o sistema atual de pedágio.
“Hoje, tem motorista que não paga o pedágio. Quem sai da 3ª Ponte, em Vila Velha, e vai até Recanto da Sereia, em Guarapari, usa a rodovia, recebe o serviço da rodovia (se sofrer um acidente será atendido), mas não paga. São 66%, 70% dos usuários que não pagam o pedágio. Não é por isenção. É porque transitam num vazio em que não tem praça”, declarou.
Atualmente, o valor do pedágio para motocicletas e carros na ponte é de R$ 1,40 e R$ 2,80, respectivamente. Já em Guarapari, as motos pagam R$ 6,30 e os automóveis R$ 12,60.
A medida foi anunciada após os presidentes das associações de moradores de Village do Sol, Recanto da Sereia e Ponta da Fruta, além de diversos moradores dos bairros de Guarapari e Vila Velha, reclamarem por precisar pagar pedágio para circular dentro dos próprios municípios.
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Já os líderes comunitários dos bairros que ficam próximos à praça do pedágio também apresentaram demandas que vão de como a construção do viaduto na Ponta da Fruta, passagem inferior na Barra do Jucu e no Ulé, a ciclovia ligando Barra do Jucu e Setiba.
Desequilíbrio em contrato
O presidente da Rodosol disse que há um desequilíbrio financeiro no contrato de concessão, que favorece a própria concessionária, e que aguarda resposta da Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), representada na reunião pelo diretor técnico Mamoru Komatsu. Ele não deu detalhes sobre os desequilíbrios.
Gandini disse que não espera que a nova tecnologia seja instalada ainda este ano. Segundo ele, ´é necessário que o novo modelo abarque as reclamações da população e durante a instalação, a praça passe um período sem a cobrança de pedágio.
“O Estado tem competência para assumir ali. É uma rodovia que será deixada em boas condições. Vamos deixar aquela região sem pedágio. Já pagamos muito imposto. Já tem IPVA, parquímetro…”, afirmou.