Cerca de 380 policiais federais cumprem 110 ordens judiciais nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauí, na Bahia e no DF, pela 26ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (22).
Batizada de Operação Xepa, esta etapa é um desdobramento da Operação Acarajé, a 23ª etapa, que atingiu o publicitário João Santana, ex-marqueteiro das campanhas eleitorais da presidente Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a mulher e sócia Monica Moura.
João Santana e Monica Moura estão presos preventivamente em Curitiba, base da Lava Jato. Em Brasília, a PF está no hotel Golden Tulip, onde moram vários políticos. O local fica próximo ao Palácio da Alvorada.
“Tendo em vista que, em decorrência da análise de parte do material apreendido, descortinou-se um esquema de contabilidade paralela no âmbito do Grupo Odebrecht destinado ao pagamento de vantagens indevidas a terceiros, vários deles com vínculo direto com o poder público em todas as esferas”, informa nota da PF.
Segundo a Polícia Federal, o material indicou a realização de entregas de recursos em espécie a terceiros indicados por altos executivos do Grupo Odebrecht nas mais variadas áreas de atuação do conglomerado da empresa.
“Há indícios concretos de que o Grupo Odebrecht se utilizou de operadores financeiros ligados ao mercado paralelo de câmbio para a disponibilização de tais recursos”, diz a PF.
Os investigados conduzidos coercitivamente serão ouvidos em suas cidades e os presos serão levados para Curitiba, base da operação.
Os mandados estão sendo cumpridos um dia depois da Operação Polimento, 25ª etapa da Lava Jato, deflagrada em Portugal nesta segunda-feira, 21. A fase internacional pegou o empresário Raul Schmidt Felipe Junior, investigado que estava foragido desde julho de 2015.
Discriminação dos Mandados Judiciais
28 mandados de condução coercitiva
(Alvos com múltiplos endereços)
11 mandados de prisão temporária
(Alvos com múltiplos endereços)
04 mandados de prisão preventiva
(Alvos com múltiplos endereços)
67 mandados de busca e apreensão divididos da seguinte forma:
29 – Estado de São Paulo: 01 – Guarujá/SP – 01 – Guarulhos/SP – 02 – Jundiaí/SP – 01 – Valinhos/SP – 25 – São Paulo/SP
18 – Estado do Rio de Janeiro: 01 – Angra dos Reis/SP – 17 – Rio de Janeiro
08 – Estado da Bahia: 07 – Salvador / 01 – Mata de São João
04 – Distrito Federal: 04 – Brasília
04 – Estado de Pernambuco: 04 – Recife
03 – Estado de Minas Gerais: 02 – Belo Horizonte / 01 – Nossa Fazenda
01 – Estado do Rio Grande do Sul – 01 – Porto Alegre
Na última segunda-feira (21), foi realizada a 25ª fase da Lava Jato, a primeira fora do Brasil, a operação aconteceu em Portugal. Por enquanto, a Polícia Federal não divulgou quais os endereços investigados nesta 26ª fase da operação apura casos de lavagem de dinheiro e corrupção, envolvendo membros do governo federal.
25ª fase
A prisão do luso-brasileiro Raul Schmidt Felipe Junior, consultor e suposto responsável por pagamentos de propinas a ex-diretores da Petrobras, em Lisboa pode não ser a única em território português nos próximos dias.
A Procuradoria-Geral da República de Portugal informou nesta segunda-feira (21) que há mais duas cartas rogatórias, enviadas pelas autoridades brasileiras, para o cumprimento de diligências no país europeu.
As cartas rogatórias são acordos fechados entre juízos de nacionalidades diferentes para fazer diligências no território do país receptor, com o objetivo de auxiliar investigações que tramitam no país emissor. Neste caso, o Brasil é o país emissor e Portugal, receptor.
A Procuradoria-Geral da República de Portugal afirmou, em nota, que “já recebeu, das autoridades brasileiras, três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria. Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução”.
Raul Schmidt Felipe Junior foi alvo de mandados de busca e apreensão e prisão preventiva na 25ª fase da Lava Jato hoje em Lisboa. Ele é investigado pelo pagamento de propinas aos ex-diretores Renato de Souza Duque (Serviços), Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada (ambos da área Internacional). O processo de extradição de Schmidt Junior deve começar nos próximos dias.
O MPF (Ministério Público Federal) informou que Raul Schmidt Felipe Junior estava foragido desde julho de 2015, quando foi expedida a ordem de prisão. Seu nome havia sido incluído no alerta de difusão da Interpol em outubro do ano passado.