Após perder dois prefeitos, e com a possibilidade de um terceiro deixar o partido, o Republicanos pode sofrer mais uma baixa: o deputado estadual Hudson Leal está de malas prontas para se desfiliar da legenda.
Acumulando conflitos internos com o partido desde a eleição passada e muito mais próximo ao governo do Estado do que a legenda gostaria, Hudson já não vê mais clima para continuar filiado e deve esperar a janela partidária, no ano que vem, para trocar de legenda.
Segundo Hudson, convites de outras legendas ele teria de monte, mas está trabalhando para entrar num partido em que seja o único mandatário, montar a chapa e assegurar sua reeleição à Assembleia.
No ano que vem, Hudson quer tentar seu quarto mandato como deputado estadual e, ao que tudo indica, as chapas tanto de estadual quanto de federal do Republicanos estarão pesadas. Esse também é um dos motivos para o deputado querer deixar a legenda.
Conhecido nos bastidores por ser um bom articulador e “montador” de chapas, Hudson Leal também estaria envolvido na debandada de prefeitos do partido.
Ele esteve presente no encontro entre o governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito de Venda Nova do Imigrante, Dalton Perim (sem partido), no último dia 2, no Palácio Anchieta. Um dia antes, Perim pediu desfiliação do Republicanos – partido em que estava filiado desde 2020.
Hudson também recebeu em seu gabinete o prefeito de Sooretama, Fernando Camiletti (sem partido), no último dia 26. Na semana passada, Camiletti também pediu desfiliação do Republicanos.
“Fui massacrado”
Procurado pela coluna De Olho no Poder, Hudson admitiu um mal-estar em continuar na legenda. “Sou persona non grata no partido hoje, porque eu não apoiei o prefeito Pazolini. Foi uma questão de opção, fiquei com Assumção. Eu amo o Republicanos, mas o problema é que as coisas estão acontecendo sem diálogo e isso é ruim. Política se faz com diálogo e não com o fígado”.
O deputado disse ainda que foi “massacrado” na eleição passada pelo partido junto com seus aliados. Ele contou que o Republicanos não teria cumprido com promessas feitas a ele. Porém, não deu detalhes.
Sobre estar levando prefeitos do Republicanos para a base de Casagrande, desconversou: “Não tenho força pra fazer essa ponte. Aos que me perguntam como está minha situação, eu falo que tenho dificuldades de continuar. Eu poderia muito bem ajudar o partido, mas não me pedem opinião em nada”.
Ele admitiu que deve ir para um partido da base de Casagrande, a quem pretende apoiar no ano que vem: “Minha relação com o governador é de 100% e em time que está ganhando não se pode mexer. No ano que vem eu vou ficar com Casagrande e com o candidato dele a governador, que hoje é o Ricardo Ferraço”, disse Hudson.
Chapa pesada
O Republicanos está no campo oposto ao de Casagrande e, hoje, a legenda aposta na candidatura do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao governo do Estado. No Estado, o presidente do Republicanos é o ex-deputado estadual Erick Musso.
Além da divergência política, Hudson também faz cálculo. Hoje, o Republicanos é um dos principais abrigos partidários dos adversários de Casagrande. Conseguiu atrair a família Manato e o ex-secretário da Segurança Coronel Ramalho. A expectativa é que Ramalho e Soraya se filiem ao Republicanos e disputem a Câmara Federal.
Na Assembleia, o Republicanos conta com cinco deputados – Hudson, Alcântaro Filho, Bispo Alves, Pablo Muribeca e Sergio Meneguelli (o mais votado da história da Casa) – e representa a maior bancada do parlamento. E há a previsão de filiar mais lideranças para concorrer à Ales no ano que vem.
Com tantos nomes de peso, a disputa interna aumenta e a chance de todos serem reeleitos diminui. “Tenho que estar num partido onde eu ganhe a eleição”, disse Hudson. Em 2022, ele teve 20.804 votos.
Presidente estadual do Republicanos, Erick Musso foi procurado para comentar a saída dos prefeitos e as queixas do deputado. Ele preferiu não se manifestar sobre o assunto.
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