Política

Protesto contra PEC tem quebra-quebra e carro incendiado em Brasília

A ação policial na Esplanada envolve o uso da cavalaria, tropa de choque e bombas de gás. Manifestantes acusam a polícia de ter agredido uma das pessoas que invadiu o espelho d'água

Um carro foi incendiado durante a manifestação Foto: Agência Brasil 

Brasília, 29 – Após a dispersão das pessoas que protestavam estavam em frente ao Congresso Nacional, um grupo de manifestantes voltou a entrar em confronto com policiais na Esplanada dos Ministérios por volta das 18h50. O embate aconteceu nas proximidades do Ministério do Meio Ambiente e terminou rapidamente. Policiais do Distrito Federal avançam para a Esplanada e atuam com ação mais intensa para tentar isolar o grupo em frente à Catedral de Brasília.

A ação policial na Esplanada envolve o uso da cavalaria, tropa de choque e bombas de gás. Manifestantes acusam a polícia de ter agredido uma das pessoas que invadiu o espelho d’água do Congresso, o que supostamente teria iniciado o conflito. Outra versão cita que o embate começou após alguns manifestantes terem virado um veículo estacionado nos arredores do Congresso Nacional.

Houve quebradeira dos edifícios públicos na Esplanada e equipamentos urbanos, como paradas de ônibus e lixeiras. Por outro lado, testemunhas afirmam que houve excesso dos policiais. Pessoas que se refugiaram atrás dos Ministérios que apenas aguardavam os ânimos se acalmarem foram atingidas por bombas de efeito moral.

Os estudantes fizeram uma barricada com fogo em frente à Catedral e em alguns momentos eles dançam e entoando gritos de guerra contra a polícia. A polícia neste momento aguarda e alguns manifestantes que estavam em um carro de som dizem que há feridos e precisam de apoio para socorrê-los. Não se sabe o número de feridos.

Temer se posiciona

O presidente Michel Temer escalou o porta-voz Alexandre Parola para comentar as manifestações que acontecem na Esplanada. “O presidente Michel Temer repudia o vandalismo, a destruição e a violência de um grupo de manifestantes hoje em Brasília. A intolerância não é forma de expressão democrática e não pode ser instrumento para pressionar o Congresso”, disse Parola.

Na mensagem, Parola destacou que o governo sempre esteve aberto ao diálogo e defende o direito às reivindicações. “Mas jamais transigirá com atos de destruição do patrimônio público e privado”, afirmou. “O País não pode ser palco de atos que só disseminam o medo e a intimidação para as famílias e os cidadãos brasileiros.”

O porta-voz também lamentou os ataques à imprensa e disse que a liberdade de imprensa “é um valor central em nossa democracia”. “O presidente lembra que a mesma Constituição que garante a liberdade de manifestação, protege também a imprensa livre.” Diferente de outras votações importantes, em que ficou no Palácio do Planalto até tarde, o presidente Michel Temer já foi para o Palácio do Jaburu.

Servidores

O aumento na intensidade dos protestos e da ação policial na Esplanada deixou servidores dos ministérios literalmente presos nos prédios. Funcionários que trabalham nos ministérios do Desenvolvimento Social, da Educação e da Cultura, segundo relatos obtidos pela reportagem, decidiram não deixar os prédios com receio de serem atingidos.

Alvo de protestos por conta das mudanças com do ensino médio, o Ministério da Educação, por exemplo, foi pichado. Garagens subterrâneas das repartições na Esplanada foram fechadas por precaução.

O MEC foi invadido e depredado por um grupo de 50 a 100 pessoas, algumas encapuzadas. Atearam fogo em pneus, em lixeiras, quebraram as entradas do ministério, caixas eletrônicos e câmaras de segurança. O ministro da Educação, Mendonça Filho, permanece no seu gabinete.

Cordões de isolamento

Numa ação para inibir os protestos, a PM fez dois cordões de isolamento na Esplanada. O primeiro, de acompanhamento e parado, é na altura da Rodoviária de Brasília, no início da Esplanada.

Por sua vez, o segundo grupo da PM avança a pé desde o espelho d’água no Congresso até a Catedral de Brasília. Essa ação visa dispersar e inibir os protestos. Os manifestantes reclamam também da truculência da ação policial que, dizem, deixou pessoas feridas.