Recentemente, uma participante de um reality show na TV teve uma reação alérgica grave após ingerir determinado alimento em uma festa.
As reações alérgicas são potencialmente graves, podendo levar a um quadro muito preocupante, denominado edema de laringe, caracterizada pelo inchaço da glote, a abertura entre as cordas vocais na laringe.
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Esse inchaço pode levar à obstrução das vias aéreas superiores, dificultando a respiração e, em casos extremos, resultando em asfixia.
Edema de laringe e a alergia alimentar
Uma das causas mais comuns do edema de glote é a alergia alimentar, que ocorre quando o sistema imunológico reage de maneira exagerada a proteínas presentes em certos alimentos.
Quando uma pessoa alérgica ingere um alimento desencadeante, como amendoim, frutos do mar, leite, ovo, soja, trigo ou nozes, o sistema imunológico identifica erroneamente as proteínas desse alimento como perigosas.
Isso leva à produção de imunoglobulinas específicas contra aquele alimento.
Ao entrarem em contato com o alimento novamente, as células liberam mediadores inflamatórios, que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e contração da musculatura.
O resultado é o edema na região da glote, levando ao estreitamento das vias aéreas.
Alergia pode se manifestar em minutos ou horas
O edema de glote pode se manifestar de forma rápida e intensa após a exposição ao alérgeno, geralmente em minutos a poucas horas. Os principais sintomas incluem:
- Dificuldade para respirar (dispneia), devido ao estreitamento das vias aéreas;
- Rouquidão, causada pela inflamação das pregas vocais;
- Estridor, um som agudo ao inspirar, indicando obstrução parcial das vias aéreas superiores;
- Tosse, reflexo do organismo tentando desobstruir as vias respiratórias;
- Sensação de algo preso na garganta;
- Angioedema facial, com inchaço em lábios, língua e rosto, que pode acompanhar o edema de glote;
- Urticária e prurido, que podem ocorrer simultaneamente, indicando uma reação alérgica sistêmica.
Em casos graves, o edema de glote pode evoluir para anafilaxia, uma reação alérgica sistêmica com risco de vida, acompanhada de queda da pressão arterial (choque anafilático), taquicardia, confusão mental e perda de consciência.
Diagnóstico clínico é baseado na história do paciente
O diagnóstico é geralmente clínico, baseado na história do paciente, exposição recente a alimentos alérgenos conhecidos e manifestação rápida dos sintomas.
Em situações de emergência, o quadro clínico é suficiente para iniciar o tratamento, pois atrasos podem ser fatais.
Para confirmação da alergia específica e prevenção de novos episódios, são utilizados testes alérgicos, como:
- Testes cutâneos de puntura (Prick test): pequenas quantidades de alérgenos são aplicadas na pele para observar reações locais;
- Dosagem de IgE específica no sangue: identifica a presença de anticorpos específicos para determinados alimentos;
- Teste de provocação oral: realizado sob supervisão médica em ambiente hospitalar para confirmar o diagnóstico, especialmente quando os outros exames são inconclusivos.
Caso é considerado emergência médica
O tratamento do edema de glote na alergia alimentar é uma emergência médica e requer intervenção imediata.
As principais abordagens podem envolver administração de adrenalina (Epinefrina) intramuscular, promovendo uma vasoconstrição generalizada, o que reduz o inchaço da glote e facilita a respiração.
Em casos de dificuldade respiratória significativa, a administração de oxigênio suplementar ajuda a manter a oxigenação adequada.
Anti-histamínicos ajudam a aliviar sintomas leves, como urticária e prurido, mas têm ação limitada no edema de glote.
Corticoides são usados para reduzir a inflamação persistente e prevenir recorrências tardias, mas têm efeito mais lento.
Intubação pode ser necessária em casos mais graves
Em casos graves, quando há obstrução iminente das vias aéreas, pode ser necessária intubação endotraqueal de emergência.
Em situações extremas, uma traqueostomia (abertura cirúrgica na traqueia) pode ser realizada para garantir a passagem de ar.
Prevenção requer cuidado com alimentos e leitura de rótulos
A prevenção do edema da laringe em indivíduos com alergia alimentar envolve evitar a exposição ao alérgeno, fazendo a leitura cuidadosa de rótulos e tendo cautela ao se alimentar fora de casa.
Além disso, é fundamental educar o paciente e seus familiares sobre o reconhecimento precoce dos sintomas, adotar medidas iniciais de suporte e manter o acompanhamento médico com consultas regulares a alergistas para reavaliação do quadro.
Pessoas com histórico de anafilaxia devem sempre portar um auto-injetor de adrenalina e saber utilizar em caso de crise grave.
Diagnóstico rápido evita consequências fatais
O edema de glote na alergia alimentar é uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e tratamento imediato para evitar consequências fatais.
A prevenção, baseada na identificação e afastamento dos alérgenos específicos é a melhor estratégia para reduzir o risco de novos episódios.
A conscientização sobre os sintomas e a preparação para agir rapidamente, especialmente em indivíduos com histórico de alergias graves, são fundamentais para prevenir complicações graves e salvar vidas.