Saúde

Após vídeo de bebê fumando maconha, especialistas alertam sobre os riscos da droga para crianças

Alterações graves de coordenação motora, confusão mental e até coma são alguns dos efeitos nocivos a saúde.

Foto: Reprodução

Após o vídeo do bebê de um ano e cinco meses fumando maconha, ao lado da mãe, viralizar nas redes sociais, especialistas alertaram o impacto dos efeitos da maconha em crianças.

O caso aconteceu no parque São Miguel, zona sul de São Paulo. A mãe perdeu a guarda do filho e também da filha, de quatro anos, que passou a ficar sobre a responsabilidade do pai.

Oos efeitos da maconha nas crianças são ainda maiores que em adultos, porque o cérebro dos pequenos ainda está em formação. Segundo a neuropediatra Iara Brandão, além disso, a substância pode desencadear problemas psiquiátricos, caso exista predisposição.

“O impacto é imensurável e irreparável, porque o cérebro da criança está em franco crescimento. Há um efeito tóxico em diferentes áreas do cérebro. A substância danifica redes neurais e afeta áreas como amígdala e hipocampo, estruturas relacionadas à memória e às emoções”, explica.

O psiquiatra Ivan Mario Braun ressalta que estudos sobre o assunto sugerem que há riscos semelhantes aos de adultos, como desenvolvimento de dependência, aumento de risco de episódios de ansiedade aguda, sintomas depressivos e psicóticos. “Além disso, há sugestão de riscos específicos à faixa etária, no sentido de prejudicar o desenvolvimento cerebral e o desempenho escolar”, afirma.

Estudos ainda apontam que o consumo precoce da maconha pode influenciar a dependência química no futuro.

A neuropsiquiatra explica que o cérebro da criança é modulado pelo ambiente. “Tudo que ela vivencia fará parte de sua formação. Além do efeito físico da droga, há o efeito psíquico de coação”, frisa.

Cannabis 

Segundo o psiquiatra, existem poucos estudos sobre o uso da cannabis por crianças pequenas, mas, com a difusão do consumo em alguns países, há grande quantidade de estudos sobre casos, cada vez mais frequentes, de intoxicação em crianças por ingestão acidental.

“Nessas situações, pode haver alterações cardiovasculares, vômitos, dilatação das pupilas, alterações graves da coordenação motora, confusão mental e mesmo coma. A inspiração de fumaça, como consumo secundário ao dos adultos próximos, também pode ter as mesmas consequências tóxicas”, explica.

Com informações do R7