Saúde

Cirurgia robótica para tratar endometriose é realizada no Espírito Santo

O primeiro procedimento foi realizado no último sábado (25), no Hospital Santa Rita e paciente já recebeu alta hospitalar

Foto: Divulgação

A partir de agora as cirurgias de endometriose já podem ser feitas por meio do robô Da Vinci Xi, no Espírito Santo. O primeiro procedimento foi realizado, com sucesso, no último dia 25 de julho, no centro robótico do Hospital Santa Rita, em uma paciente de 42 anos de idade, com endometriose profunda. A paciente já teve alta hospitalar.

De acordo com a ginecologista e especialista em endometriose, Karin Rossi, presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do ES e responsável pela cirurgia, a escolha da técnica robótica foi devido a alta precisão cirúrgica, pois a paciente em questão já havia feito cirurgias prévias convencionais laparoscópicas e fertilizações in vitro, mas ainda não conseguiu realizar o sonho de engravidar.

Como funciona?

A cirurgia, feita por meio do robô Da Vinci Xi, proporciona melhor visualização do campo operatório (visão tridimensional), maior evidência das lesões que precisam ser retiradas, incisões menores, menos perda de sangue, além de recuperação pós-operatória mais rápida e, consequentemente, alta hospitalar em menor tempo.

“Na complexa cirurgia para o tratamento da endometriose, o procedimento robótico traz ainda mais segurança, já que nas ressecções uterinas da Adenomiose é preciso reconstruir o útero com suturas efetivas para sustentar o crescimento de uma futura gestação, o que é oferecido com maior desempenho com o auxílio robótico”, explica a médica.

Segundo Karin Rossi, a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) estima que a endometriose é uma doença que atinge uma entre 10 mulheres em idade reprodutiva e representa entre 50% a 70% das causas de infertilidade.

No caso específico da cirurgia, a endometriose era profunda do compartimento posterior (ligamentos uterossacros e região cervical) associada a adenomioma (popularmente chamados de mioma) e adenomiose.

ADENOMIOSE

Para entender a adenomiose é preciso saber que o útero é formado por três camadas:

1. Endométrio: camada interna composta por glândulas, onde ocorre a implantação do embrião.

2. Miométrio: camada intermediária composta por músculo, responsável pelas contrações no momento do trabalho de parto.

3. Serosa: camada externa que separa o útero de outros órgãos da pelve, como os intestinos .

Por razões ainda pouco entendidas, explica Karin Rossi, algumas mulheres apresentam glândulas endometriais no miométrio, caracterizando a adenomiose. “No passado, a adenomiose era conhecida como endometriose do útero. Mas hoje sabemos que são doenças distintas e podem coexistir. Estima-se que 12% das mulheres com adenomiose têm endometriose”, informa a médica.

ADENOMIOSE E FERTILIDADE 

O organismo considera a adenomiose como uma agressão, uma lesão. Por esse motivo, o organismo provoca processos de cicatrização, o que eleva a produção local de prostaglandina E2 (PGE2) e estradiol (um tipo de estrogênio, hormônio feminino) no útero. A consequência é a redução na ação da progesterona, hormônio envolvido com a fertilização e implantação do embrião.

A PGE2 e o estradiol também aumentam a contratilidade uterina, podendo expulsar o embrião da cavidade endometrial, dificultando a implantação e ainda aumentando os riscos de abortamento tardio, trabalho de parto prematuro e rotura da bolsa antes do término da gestação, eventos mais comuns em mulheres com adenomiose.

A ação imune também fica exacerbada, com ativação dos macrófagos (um tipo de glóbulo branco, célula de defesa do organismo) e com produção de óxido nítrico em altos níveis, o que pode levar a falha de implantação e abortamentos precoces.

O excesso de resposta inflamatória do organismo contra a adenomiose aumenta a produção local de radicais livres, o que pode comprometer a qualidade dos óvulos, espermatozoides e embriões.