Cirurgias realizadas por mulheres têm melhores resultados, aponta pesquisa

Um estudo canadense descobriu que os pacientes tratados por cirurgiões homens tinham 25% mais chances de morrer um ano após a cirurgia do que aqueles tratados por cirurgiãs. Pessoas operadas por cirurgiãs têm menos probabilidade de enfrentar complicações e de precisar de cuidados de acompanhamento do que quando homens manejam o bisturi, de acordo com dois estudos importantes.

Diferenças em técnica, velocidade e disposição para correr riscos são sugeridas como razões para cirurgias realizadas por homens levarem a mais problemas.

Médicos no Canadá e na Suécia revisaram mais de 1 milhão de registros médicos de pacientes e descobriram que pacientes atendidos por cirurgiãs tiveram resultados significativamente melhores, com menos problemas após a cirurgia. Os pesquisadores estão investigando as razões potenciais para as diferenças, mas os registros sugerem que cirurgiãs tendem a operar mais lentamente e podem obter melhores resultados ao dedicar mais tempo na sala de cirurgia.

A equipe de Wallis analisou complicações médicas, readmissão ao hospital e taxas de mortalidade após cirurgia em quase 1,2 milhão de pacientes de Ontário entre 2007 e 2019. Os registros incluíram 25 procedimentos cirúrgicos diferentes no coração, cérebro, ossos, órgãos e vasos sanguíneos.

A análise, relatada na Jama Surgery, mostrou após a operação, os pacientes atendidos por cirurgiãs tiveram um desempenho melhor um ano após a cirurgia, com 20,7% apresentando algum evento adverso pós-operatório, em comparação com 25% daqueles atendidos por cirurgiões. Quando os médicos analisaram puramente as mortes pós-cirúrgicas, a diferença foi ainda mais acentuada: pacientes tratados por cirurgiões homens tinham 25% mais chances de morrer um ano após a cirurgia do que aqueles tratados por cirurgiãs.

Um segundo estudo com 150.000 pacientes na Suécia, também publicado na Jama Surgery, pinta um quadro semelhante. O Dr. My Blohm e colegas do Instituto Karolinska em Estocolmo revisaram os resultados dos pacientes após cirurgia para remover a vesícula biliar. Eles descobriram que pacientes tratados por cirurgiãs sofreram menos complicações e tiveram internações hospitalares mais curtas do que aqueles tratados por homens.

Entretanto, ainda em alguns países, existe a crença geral de que cirurgiões homens são superiores às cirurgiãs. Wallis disse que há “inúmeras lições” a serem aprendidas. “Homens e mulheres diferem na forma como praticam a medicina. Abraçar ou adotar algumas práticas mais comuns entre médicas melhorará provavelmente os resultados para meus pacientes”, disse ele.

“Desde que realizei este trabalho, certamente fiz isso pessoalmente e encorajaria meus colegas a fazerem o mesmo: usar isso como um momento de introspecção.” Além de atrair mais mulheres para a cirurgia, Wallis disse que há a necessidade de “evoluir” a cirurgia para garantir que ela retenha melhor as mulheres e as promova a posições de influência.

Tim Mitchell, presidente do Royal College of Surgeons of England, disse que as descobertas se somam a uma crescente literatura que aponta para diferenças nos resultados dos pacientes entre cirurgiões homens e mulheres.

O Dr. Christopher Wallis, que liderou um dos estudos no Hospital Mount Sinai em Toronto, disse que os resultados deveriam fazer com que cirurgiões homens refletissem sobre sua abordagem à cirurgia e aprendessem com suas colegas mulheres para o benefício de seus pacientes. “Como cirurgião homem, acredito que esses dados devem me fazer e aos meus colegas pausar e considerar por que isso pode ser”, explicou.

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Dra. Martha Salim

Colunista

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim