Como identificar erros na criação dos filhos? Era a manhã que antecedia a tão esperada festa de sete anos da minha filha. A comemoração havia sido adiada devido a uma lesão no tornozelo, tornando o evento ainda mais especial para ela.
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Enquanto finalizávamos juntas as lembrancinhas, combinamos que ela escreveria os nomes dos amigos nas etiquetas, enquanto eu amarraria os laços e fecharia as sacolinhas. Depois, ela as levaria para a mesa ao lado.
Erros na criação dos filhos: interferência na autonomia infantil
No entanto, preocupada com o horário — já estávamos próximos do almoço e ela precisava ir para a escola —, acabei interferindo no seu processo. Peguei duas lembrancinhas e as transportei para a mesa, algo que deveria ser sua tarefa.
Ao perceber isso, minha filha se irritou e, tomada pela frustração, jogou o iPad, que acabou atingindo minha canela com força.
A dor foi intensa e, no impulso, gritei. Naquele momento, senti raiva. Minha primeira reação foi repreendê-la: disse que ela tinha o direito de sentir raiva, mas não de expressá-la agredindo os outros.
Em meio à minha irritação, ainda fiz uma chantagem emocional, dizendo que talvez não pudesse ir à festa usando vestido, porque minha canela ficaria roxa.
O pensamento que me veio à mente — mas que, felizmente, não verbalizei — foi: “Estou fazendo tudo para ela ter uma festa linda, e ela não dá valor”.
Como reconhecer os erros na criação dos filhos
Mais tarde, já na cama, no momento tranquilo antes de dormir, retomei a conversa. Reforcei que sentir raiva era natural, mas que precisaríamos encontrar formas mais saudáveis de expressá-la.
Sugeri que, quando estivesse irritada, batesse no sofá ou gritasse em uma almofada, em vez de arremessar objetos. Foi então que ela me disse, com sinceridade: “Eu fico com medo quando você grita comigo”.
Seu desabafo me fez refletir. Expliquei que meu grito foi uma reação involuntária à dor e que minha raiva não era dela, mas sim da situação.
No entanto, percebi que, assim como eu estava ensinando sobre emoções para minha filha, também precisava aprender com meus próprios erros.
Aprendendo com os erros na parentalidade
A grande lição desse episódio foi compreender que sentir emoções é humano — elas vêm e vão. Não devemos nos envergonhar de demonstrá-las diante dos nossos filhos. No entanto, é essencial assumir a responsabilidade pelos nossos erros.
Eu errei ao atropelar o tempo dela, ao gritar e ao recorrer à chantagem emocional. Ela errou ao reagir de forma agressiva. Mas, acima de tudo, ambos tivemos a oportunidade de aprender juntos.
Como tornar a criação dos filhos mais consciente?
Na parentalidade, o mais importante não é ser perfeito, mas ser consciente. Admitir erros e buscar repará-los ensina mais do que qualquer discurso.
- Reconheça seus erros e peça desculpas quando necessário.
- Demonstre que sentir emoções faz parte do processo de crescimento.
- Ensine formas saudáveis de expressar sentimentos.
- Mostre que aprender é um processo contínuo.
Afinal, estamos todos em constante aprendizado.