Uma pesquisa recente divulgada pela Fiocruz revelou que 34% dos fumantes brasileiros aumentaram a quantidade de cigarros consumidos neste período de pandemia. Segundo a médica oncologista Virgínia Altoé Sessa, o número preocupa, pois fumar é o fator de risco mais importante para o câncer de pulmão.
“Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, a doença está associada ao consumo de derivados de tabaco. E fumar é um fator agravante para inúmeras doenças, incluindo a Covid-19 ”, explica a oncologista.
O tabagismo é responsável por 90% das ocorrências. O cigarro é a causa de 9 em cada 10 casos de câncer de pulmão em homens e cerca de 8 em cada 10 casos em mulheres. Muitos pacientes apresentam outras doenças relacionadas ao tabagismo, como:
– doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
– enfisema;
– cardiopatia coronariana.
Cigarros eletrônicos também podem causar câncer de pulmão. Entenda
De acordo com a médica oncologista Virgínia Altoé Sessa, diferente do que muitas pessoas pensam, o uso do narguilé também pode causar câncer e do cigarro eletrônico também.
“Esses produtos estão longe de serem inofensivos. O cigarro eletrônico, por exemplo, tem substâncias cancerígenas, aditivos com sabores e com efeitos tóxicos ainda desconhecidos para a saúde, por serem relativamente novos no mercado”, alerta.
A Divisão de Controle do Tabagismo do Inca alerta que o consumo dos cigarros eletrônicos não é recomendado. Qualquer produto derivado do tabaco causa dependência e é prejudicial à saúde.
De acordo com o Instituto, a forma como o produto vem sendo divulgado em diferentes países é problemática, pois leva as pessoas a acreditarem que é um produto menos nocivo do que os cigarros convencionais.
Fumantes passivos também estão em risco
Lembrando que não se trata apenas do uso de tabaco, mas também da exposição a ele, como no caso dos chamados fumantes passivos. Isso porque quando o cigarro é aceso somente uma parte da fumaça é tragada pelo fumante.
O restante, cerca de 2/3 da fumaça gerada, é lançado no ambiente através da ponta acesa do produto.
Campanha Agosto Branco alerta para importância de prevenção do cancêr de pulmão
A campanha Agosto Branco tem como objetivo contribuir para a conscientização quanto à importância da saúde dos pulmões e à prevenção ao câncer de pulmão, uma doença silenciosa e que pode ser fatal.
A doença é normalmente diagnosticada em estágios avançados, já que os sintomas iniciais da doença podem não ser muito claros. A melhor prevenção ao câncer de pulmão é evitar o tabaco e estar próximo de fumantes (exposição passiva).
Alimentação balanceada e exercícios físicos também contribuem para diminuir os riscos de desenvolver qualquer tipo de câncer.
Saiba como reconhecer os sintomas
Ficar atento aos sintomas é essencial, de acordo com a oncologista Virgínia Altoé Sessa.
“Os sintomas do câncer de pulmão começam a surgir a partir do momento que ele está mais avançado, mas há exceções e pessoas com câncer inicial também podem apresentar tosse persistente, além de escarro com sangue, dor no peito, rouquidão, dificuldade em respirar”, explica.
A especialista alerta que a perda de peso e apetite, pneumonia recorrente ou bronquite, cansaço e sensação de fraqueza também são sinais de alerta para o câncer de pulmão.
“Se o indivíduo sentir alguns desses sintomas, a recomendação é que se procure um médico, pois é o momento de se iniciar um tratamento efetivo caso seja comprovado o diagnóstico de câncer”, diz a oncologista.
Veja quais são os fatores de risco para o câncer de pulmão
Confira abaixo os pontos de atenção que aumentam a chance de desenvolver câncer de pulmão.
– Tabagismo, principal fator de risco para o câncer de pulmão e vários outros, como boca, garganta, faringe, laringe, estômago, fígado, pâncreas, rins, bexiga e leucemias. Quanto maior o consumo de tabaco, maior o risco de desenvolvimento do câncer de pulmão.
– Histórico familiar de câncer de pulmão
– Exposição a substâncias como radônio, arsênico, cromo, níquel, fuligem e amianto
– Radioterapia anterior na região do tórax
– Poluição do ar
– Doenças pulmonares como a tuberculose