Saúde

Dia do Careca: calvície é doença? Entenda as causas da queda dos fios!

Muitas pessoas têm recorrido ao transplante capilar. Contudo, a escolha da técnica cirúrgica correta é fundamental para o sucesso do tratamento

Foto: Divulgação

14 de março é celebrado o Dia do Careca. Quando o assunto é calvície, muitas novidades prometem pôr fim à queda acentuada dos cabelos. A cada dia, medicamentos, procedimentos e técnicas cirúrgicas são divulgadas, fazendo com que muitas pessoas que buscam soluções para esse incômodo fiquem confusas quanto a qual tratamento aderir.

Segundo o cirurgião plástico pioneiro no Espírito Santo em transplante capilar, Fábio Zamprogno, a escolha do tratamento da calvície necessariamente precisa ser personalizada, pois depende de particularidades como a idade do paciente, o tipo e o grau da calvície.

Existe atualmente duas técnicas para a retirada das unidades foliculares. A técnica da faixa, Follicular Unit Transplantation (FUT) é utilizada por aproximadamente 80% dos profissionais brasileiros. Nessa modalidade, uma pequena faixa de couro cabeludo é retirada da parte posterior da cabeça. Em seguida, os folículos capilares são separados no microscópio ou lupa, preparados e implantados na área calva.

De acordo com Zamprogno, nessa técnica toda a equipe cirúrgica, composta em média por sete profissionais, precisa atuar em perfeita harmonia. “As unidades foliculares não podem permanecer fora do organismo humano por muito tempo, pois podem desidratar e comprometer o resultado da cirurgia. Por isso, é fundamental que, enquanto a equipe separa as unidades foliculares, o cirurgião já esteja implantando os cabelos, aspecto que também agiliza e diminui o tempo total do procedimento”, explica.

A cicatriz resultante é uma “linha” na região posterior do couro cabeludo, que fica praticamente imperceptível tampada pelos cabelos. Vale ressaltar que a técnica FUT é indicada para pacientes de graus 2 a 6 de calvície, que já apresentem entradas acentuadas, rarefação e falhas. A cirurgia possibilita maior aproveitamento dos fios retirados e transplantados, garantindo um resultado mais satisfatório, já que os que “pegarem” na área receptora não cairão mais. Além disso, o pós-operatório é rápido: de cinco a dez dias.

Outro benefício é que a FUT pode ser repetida, se necessário, até três vezes, dependendo da elasticidade do couro cabeludo do paciente, e ainda combinada com outras técnicas para a obtenção de resultados ainda melhores.

Sem cortes

Outra técnica conhecida é a Follicular Unit Extraction (FUE), que consiste na retirada das unidades foliculares com o auxílio de equipamentos que eliminam a necessidade de cortes. No procedimento, é necessário raspar toda a área do couro cabeludo doadora e realizar diversos furos na região para que os fios sejam removidos. Por isso, as cicatrizes da cirurgia são puntiformes, mas também ficam disfarçadas pelos cabelos.

Na FUE, todos os folículos devem ser removidos antes de ser iniciada a colocação no couro cabeludo, o que torna o procedimento mais demorado. Além disso, são retiradas menos unidades foliculares do que na FUT, pois é necessário deixar espaço entre um orifício e outro na retirada dos bulbos para que a região doadora não fique com o cabelo muito rarefeito, visto que os fios retirados não crescerão mais.

“Na técnica FUT, conseguimos retirar uma média de 7 mil fios, pois aproveitamos 100% da faixa doadora. Na técnica FUE não chegamos nem 3,5 mil fios. Por isso, é indicada apenas para casos específicos, como pacientes de meia idade, com a calvície estabilizada e já sem elasticidade no couro cabeludo após três ou quatro retiradas de faixas com a cirurgia convencional”, aponta Zamprogno.

O médico explica que, de forma geral, para dar início ao tratamento da calvície em pacientes mais jovens, o caminho mais indicado é a medicação receitada por dermatologistas. Quando a calvície está estabilizada e busca-se um tratamento mais definitivo, o transplante capilar é a solução, sendo a técnica FUT a mais indicada inicialmente, visto que ela pode ser repetida por até três vezes. De forma complementar, realiza-se a técnica FUE. “Nenhuma das técnicas, entretanto, é superior em qualidade. Elas devem ser escolhidas caso a caso, oferecendo ao paciente a melhor possibilidade de solução para a melhora da sua autoestima, qualidade de vida e saúde”, finaliza o cirurgião.