Saúde

Dia Mundial sem Tabaco: saiba como parar de fumar e onde encontrar ajuda

Estimativas apontam que 443 pessoas morrem todos os dias no Brasil por causa do cigarro. No mundo, são 8 milhões de óbitos por ano

Foto: Divulgação

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cigarro é responsável pela maior causa de mortes evitáveis no mundo. Reconhecida como doença crônica, o tabagismo é causado pela dependência à uma substância chamada nicotina, presente em produtos feitos com tabaco

Informações publicadas pelo site do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apontam que somente no Brasil, a estimativa é de que 443 pessoas morrem por causa do tabagismo todos os dias. No mundo, a OMS destaca que são 8 milhões de mortes por ano. 

De acordo com a médica pneumologista, Amanda Sirtoli, o primeiro passo para deixar de fumar é a pessoa querer. Somente a partir daí é possível dar início a todo um trabalho terapêutico e, às vezes, com o apoio de medicações. Ela destaca que é importante que todos entendam os graves problemas que o cigarro pode desenvolver no organismo de uma pessoa.

“Além da nicotina, o cigarro tem no mínimo 69 outras substâncias que são cancerígenas e mais de 4 mil nocivas à saúde. A partir do instante que uma pessoa começa a fumar, ela pode adquirir uma doença grave ou trazer à tona algo que já existia. O tabaco piora doenças cardíacas, é responsável por 90% dos casos de cânceres de pulmão, além dos de bexiga e cavidade oral”, pontuou.

Gestantes que fumam são motivo de enorme preocupação para os médicos, uma vez que podem desenvolver transtornos na gestação levando a partos pré maturos e até mesmo à quadros de doenças respiratórias no recém-nascido.

Vale lembrar que o número de fumantes no país tem diminuído ao longo dos últimos anos. A última pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde em 2022, revelou que no conjunto das 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal, a frequência de pessoas fumantes, com 18 anos ou mais, caiu para 9,1% em 2021. Em 2010 esse percentual era de 15,1%, no mesmo grupo avaliado.

Em Vitória, capital do Espírito Santo, os reflexos não foram diferentes. Se o índice de adultos fumantes era de 7,14% da população no ano passado, há 12 anos estes números eram bem maiores: 12,4%.

Mas, a médica destaca que ainda é preciso trabalhar muito para tornar a realidade melhor. Principalmente diante dos avanços tecnológicos e da constante tentativa da indústria do tabaco em manter o produto em circulação. 

Com a redução do consumo do cigarro tradicional surgiram as versões eletrônicas, que segundo a pneumologista são tão nocivos quanto o convencional.

Foto: Foto: Shutterstock

Os perigos do cigarro eletrônico para a saúde

Eles são dispositivos atraentes. Principalmente para quem nunca fumou. Têm aromas variados, modelos, cores diversas e estão ligados à inovação tecnológica. Basicamente, são compostos por líquidos, substâncias que ao serem aquecidas liberam vapor, imitando a fumaça de um cigarro comum. Porém, são de longe inofensivos.

“É fundamental dizer que ele é tão nocivo quanto o tabaco convencional. É composto por substâncias tóxicas e existe em vários níveis de nicotina. Nenhum seguro deles é seguro para a saúde. Além das doenças provocadas por um cigarro comum, desenvolve no organismo uma doença chamada Evali, descrita pela primeira vez nos EUA. Trata-se de uma lesão pulmonar séria induzida pelo cigarro eletrônico”, destacou Amanda. 

Um outro fator negativo, é que os cigarros eletrônicos aumentam a iniciação ao cigarro convencional. A chance das pessoas que usam o dispositivo começarem a fumar torna-se muito maior. Vale lembrar que a venda e a propaganda do cigarro eletrônico são proibidas no Brasil.

Médica paliativista, Nathália Duarte está à frente de um programa voltado para pessoas que pretendem largar o cigarro. Segundo ela, ele é composto por uma equipe multidisciplinar, pronta para acolher, apoiar e orientar os pacientes. 

“Não existe uma receita de bolo. Trabalhamos com estratégias individualizadas e coletivas voltadas para o incentivo destes pacientes. O objetivo é promover qualidade de vida e saúde, bem longe do cigarro”, disse.

O ambulatório que a médica coordena funciona no ambulatório da unidade de uma operadora de saúde em Vitória. Segundo Nathália, primeiro o paciente passa por uma consulta onde o médico avalia a questão da dependência e elabora um plano terapêutico. Se houver necessidade, são incluídos medicação e acompanhamento psicológico. 

“O trabalho em grupo é muito importante para vencer o tabagismo. Quando pacientes se encontram nas ações coletivas, um incentiva o outro. Com isso, ao longo dos anos, temos contabilizado bons resultados. Reconhecer que precisa de ajuda torna a missão possível”

Nathália disse ainda que percebeu, principalmente por conta da pandemia, o aumento de pessoas procurando ajuda. Na avaliação dela, a covid-19 destacou a importância da saúde para a qualidade de vida como um todo. 

Confira algumas dicas para deixar de fumar

Mudança de vida, hábitos novos, preencher o tempo ocioso são algumas orientações para quem está no processo de se libertar do vício do cigarro. Medicações e consultas com psiquiatra também podem se fazer necessárias, dependendo de cada caso. 

Porém, algumas dicas simples podem fazer grande diferença na hora de vencer o tabagismo. Veja:

– Procure ocupar o tempo livre;
– Faça uma atividade física;

– Beba água quando tiver vontade de fumar;
– Evite o café! Troque a bebida por chás, leite ou sucos, por exemplo;

– Masque chicletes, cravo e até canela em casca; 
– Jogue fora todo o cigarro que tiver em casa;

– Elimine tudo que faça referência ao cigarro: cinzeiros, isqueiros;
– Terminou uma refeição? Levante da mesa, escove os dentes e beba água;

– Evite ficar perto de outros fumantes;
– Adote um alimentação equilibrada.

Foto: Divulgação

Por que é importante parar de fumar

Assim que uma pessoa para de fumar, o organismo começa a reagir. As mudanças podem começar minutos após a mudança de vida, levando até mesmo anos para se recuperar.

– Após 20 minutos sem fumar, a pressão arterial e a frequência cardíaca diminuem;

– Em 12 horas, os níveis de monóxido de carbono ficam normais;

– Com 2 semanas, a função dos pulmões aumenta;

1 mês depois, o paciente percebe que a tosse e a falta de ar começam a diminuir;

– Dentro de 10 anos, o ricos de desenvolver um câncer de pulmão caem para a metade que o risco de um paciente fumante;

– Ao final de 15 anos, o risco de uma doença cardíaca torna-se igual a de uma pessoa que não fuma.

Ao deixar o cigarro, as pessoas também contribuem para a saúde de quem convive com o fumante. Referência Técnica da equipe de Controle em Tabagismo da Sesa, Silvana de Oliveira Dias Valada, faz um alerta. 

“Crianças e bebês são particularmente mais suscetíveis ao que chamamos de tabagismo passivo, e isto, pode aumentar os riscos de doenças respiratórias na infância e até levar à síndrome da morte súbita infantil. É importante que o tabagista se conscientize que o uso de cigarro, cigarro eletrônico ou dispositivo eletrônico para fumar, põe em risco sua saúde e a das pessoas que estão em sua volta”.

ES registrou aumento na busca pelo tratamento para o tabagismo nos últimos 2 anos

Segundo a secretaria de Estado da Saúde, em 2021, 2.187 pessoas buscaram o tratamento para o tabagismo em todo o Estado. A maioria composta por pacientes do gênero masculino: 1.111 pacientes do gênero masculino. Já 1.076 do feminino.

No ano anterior, 2.057 pacientes procuraram pelo tratamento (1.012 do gênero masculino e 1.045 do gênero feminino).

Em 2019 a pasta registrou o maior número de buscas pelo tratamento. Ao todo, foram 5.787 pacientes recorreram ao programa de reabilitação.

No Estado, em 2021, 2020 e 2019, por intermédio do programa que atua em 50 municípios; 792, 805 e 2584 pacientes, respectivamente, pararam de fumar após o tratamento.

Saiba onde buscar ajuda

As unidades de saúde dos municípios capixabas oferecem atendimento e trabalham com grupos de apoio e acompanhamento para quem quer parar de fumar.

Mais detalhes de onde encontrar ajuda, além de outras informações a população pode entrar em contato com o Programa Estadual de Controle do Tabagismo pelo telefone: (27) 3636-8206.