Saúde

É perigoso misturar álcool com antidepressivos? Conheça os riscos

Especialistas alertam para os perigos dessa combinação que pode até mesmo ser fatal em alguns casos. Saiba mais

Foto: Reprodução/Freepik

A combinação de medicamentos psiquiátricos com bebidas alcoólicas é amplamente conhecida como desaconselhável. Entretanto, muitas vezes essa precaução não é seguida rigorosamente. Seja por falta de compreensão dos efeitos ou pela crença de que uma pequena quantidade não causará danos.

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Segundo Julia Trindade, médica psiquiatra membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, ABP, em entrevista ao portal de notícias R7, os efeitos da interação costuma variar de uma pessoa para outra.

“Não existe uma quantidade universalmente segura de bebida alcoólica que possa ser considerada inofensiva quando combinada com medicamentos psiquiátricos. A interação pode variar de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de medicamento, da dosagem, da sensibilidade individual, da condição de saúde e do estado metabólico. Mesmo pequenas quantidades podem potencializar os efeitos colaterais dos medicamentos”.

É importante lembrar que medicamentos psiquiátricos agem de maneira específica no sistema nervoso central, regulando neurotransmissores. O álcool, ao contrário, é um depressor do sistema nervoso, intensificando os efeitos dos medicamentos.

Como ambos são metabolizados pelo fígado, a mistura altera os níveis sanguíneos, aumentando uma série de riscos como:

– Sedação excessiva;

– Descoordenação;

– Pressão arterial instável;

– Overdose.

Medicamentos como, medicamentos para dormir benzodiazepínicos, antidepressivos e opióides são particularmente propensos a efeitos colaterais. A endocrinologista Paula Pires, também ouvida pelo R7, adverte que a combinação com álcool pode diminuir a respiração, levando à falta de oxigênio e risco de morte.

Os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), uma classe de antidepressivos, também podem ter interações fatais com álcool, causando crises hipertensivas.

As interações entre psicotrópicos e álcool incluem potencialização, redução dos efeitos terapêuticos e intensificação de efeitos colaterais. O álcool pode amplificar sonolência, interferir na absorção de medicamentos e aumentar efeitos adversos.

Nem todos os medicamentos interagem significativamente, mas muitos podem ter metabolismo, absorção e distribuição afetados.

CONHEÇA OS EFEITOS DAS INTERAÇÕES

Em casos de ingestão durante tratamento, interações podem começar em 30 minutos a uma hora. A duração varia, persistindo enquanto o álcool estiver no corpo.

Combinações inadequadas podem gerar sequelas como episódios psicóticos e piorar doenças mentais. A endocrinologista Paula reforça que a mistura afeta o tratamento, diminuindo eficácia terapêutica ou aumentando riscos.

Se sintomas leves surgirem após a combinação, evitar atividades exigentes é aconselhável. Caso haja sintomas graves como dificuldade respiratória, busca por ajuda médica de emergência é fundamental.

Categorias das interações entre psicotrópicos e álcool

Potencialização:  Em determinadas situações, o álcool pode intensificar os efeitos calmantes ou estimulantes dos medicamentos psiquiátricos, resultando em maior sonolência, tontura, coordenação comprometida e redução das capacidades cognitivas.

Redução dos efeitos terapêuticos: O consumo de álcool pode atrapalhar a absorção, distribuição e metabolismo dos medicamentos, diminuindo a eficácia de seus efeitos terapêuticos.

Efeitos colaterais amplificados: Ao misturar álcool com medicamentos, é possível intensificar os efeitos colaterais prejudiciais, acentuando sintomas como sonolência, irritabilidade, comprometimento da respiração e flutuações na pressão arterial.

*Com informações do R7

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