Saúde

É seguro comer em restaurante self-service na pandemia? Veja o que dizem os especialistas

Médicos explicam os riscos e os cuidados necessários ao optar pelo restaurante a quilo durante a pandemia do novo coronavírus. Uma das dicas é higienizar as mãos antes de se servir e também antes de consumir a refeição

Foto: Divulgação

Com a correria do dia a dia ou em busca de um prato diferente, uma das alternativas para quem come fora de casa é recorrer aos restaurantes self-service. Com as medidas de distanciamento social que começaram a ser adotadas após o início da pandemia, o setor passou a viver sérias dificuldades em relação às restrições. A redução no movimento fechou a porta de milhares de estabelecimentos no país. 

Os especialistas consultados pelo Folha Vitória explicam que as pessoas podem continuar frequentando os restaurantes a quilo sem medo, mas alguns cuidados  são necessários. 

Dentre eles, o constante uso de máscara enquanto se serve e a higienização das mãos antes e depois de manusear os talheres dos alimentos, que são usados por muitas pessoas. Além disso, deve-se evitar aglomeração nesses locais. 

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Professor Edmilson Migowski dá dicas para reduzir o contágio

“O risco neste tipo de restaurante é pequeno, se alguns procedimentos forem adotados. Se o restaurante for cuidadoso com a conservação e reposição dos alimentos, manter a temperatura apropriada para os refrigerados ou quentes, é pouco provável que se tenha problemas neste tipo de local”, explicou o professor de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migowski.

Manter as mãos limpas é fundamental, acrescenta o especialista: “É muito importante que a pessoa entre na rampa dos alimentos, higienize as mãos e vá se servindo. Se ela colocar as mãos no rosto, na boca ou em algum outro lugar que não seja os talheres, ela deve repetir o procedimento das mãos com o álcool”, explicou o professor.

“É seguro comer em self-service sendo necessário que o mesmo tenha seu alvará sanitário atualizado, pois isso indica que o mesmo sofreu inspeção pela Vigilância Sanitária e não foram encontradas irregularidades que coloque a saúde dos clientes em risco, relacionado à doenças transmitidas pela água ou que tenha transmissão oral fecal”, completou a infectologista Jacqueline Oliveira Rueda.

Segundo os especialistas, outros cuidados devem ser tomados pelos clientes e pelo estabelecimento: 

– O prato para se servir deve estar de boca para baixo;
– Deve haver álcool 70% para que a pessoa higienize bem as mãos antes de se servir;
– É necessário um anteparo respiratório da pessoa (tipo um acrílico), para que se o cliente tossir ou espirrar, não haja contato com o alimento; ou obrigar que a pessoa se sirva usando máscara;
– Outra opção é que alguém sirva os clientes, com todos os cuidados 
-Locais fechados, sem ventilação e sem distanciamento entre as mesas devem ser evitados 

Leia também: Com menos clientes nas ruas, restaurantes self-service fecham as portas durante a pandemia

A infectologista destaca que neste momento de pandemia, devem ser evitados locais que não respeitam o distanciamento entre mesas ou que são fechados, além de outros cuidados. 

“Para evitar contaminação por gotículas, o restaurante deve colocar cartazes pedindo para que os usuários não falem enquanto estão se servindo, além de instalar um anteparo sobre a comida”, afirmou.

“Eu escolheria locais com uma boa higiene, com álcool para higienizar as mãos, que tenha um aspecto agradável, organizado, roupas dos colaboradores limpas, unhas dos que manipulam alimentos estejam cortadas”, opinou o professor.

Funcionamento no Estado

Atualmente, nas cidades classificadas em risco alto, o funcionamento de restaurantes é permitido das 10h às 20h, de segunda a sexta, e aos sábados de 10h às 16h. Nas cidades em risco moderado, como Vitória, podem funcionar de segunda a sábado, até as 22h, e aos domingos até as 16h.

Crise no setor fecha portas

Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostrou que aproximadamente 80 mil restaurantes self-services encerraram as atividades durante a pandemia em todo o Brasil. Antes dela, havia cerca de 200 mil estabelecimentos deste tipo no país. A redução foi de 40%.

Considerando os demais restaurantes, lanchonetes e bares, havia 1 milhão de negócios do setor no Brasil até março de 2020, empregando 6 milhões de brasileiros. Cerca de 335 mil fecharam as portas em definitivo e mais de 1,3 milhão de empregos foram perdidos. O levantamento não apontou dados específicos de estabelecimentos fechados no Espírito Santo.