O Estado do Espírito Santo começa a vacinar contra covid-19 os adolescentes com idades entre 12 e 14 anos, sem comorbidades. Os agendamentos terão início nesta segunda-feira (20). O anúncio foi feito pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, em sua conta no Twitter.
Mas, apesar da boa notícia, muitos pais estão preocupados, com medo de levarem os filhos para se vacinar contra a covid-19. Toda essa incerteza foi criada na última semana, quando o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o Ministério da Saúde não recomendava a vacinação de adolescentes sem comorbidades.
Afirmação do Ministro foi rebatida pela Anvisa
O Ministro falou em falta de “evidências científicas sólidas” e citou um caso de óbito de adolescente após receber o imunizante. Em seguida, ponderou a falta de relação causal comprovada entre a morte e a vacina.
Em nota, a Anvisa esclareceu que a liberação do imunizante da Pfizer para adolescentes se deu após a apresentação de estudos de fase três com dados de segurança e eficácia e, ainda, reforçou a falta de informações sobre o óbito citado por Queiroga.
Leia também:
ES mantém vacinação de adolescentes mesmo após Ministério da Saúde voltar atrás
Vacinação de adolescentes contra covid será mantida nas prefeituras da Grande Vitória
Ministério da Saúde volta atrás sobre vacinação de adolescentes e surpreende Conasems
Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos
A fim de esclarecer as principais dúvidas sobre a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades, o jornal online Folha Vitória preparou um ponto a ponto com as principais informações sobre a imunização deste novo grupo. Confira:
1- A vacina contra covid-19 é segura para os adolescentes?
A Pfizer disse nesta segunda-feira (20) que a sua vacina contra a covid-19 funciona para crianças de cinco a 11 anos. A farmacêutica afirmou que buscará em breve a autorização dos Estados Unidos para aplicar o imunizante nessa faixa etária – um passo fundamental para o início da vacinação de crianças.
A vacina fabricada pela Pfizer e seu parceiro alemão BioNTech já está disponível para qualquer pessoa com 12 anos ou mais em vários países, entre eles o Brasil.
Leia também: Pfizer diz que vacina contra covid funciona em crianças de cinco a 11 anos
2- O Brasil é o único país que está vacinando adolescentes?
Não, diversos países do mundo já vacinam adolescentes desta mesma faixa etária. O médico infectologista, Lauro Ferreira Pinto, disse que o exemplo desses outros países confirma a eficácia e segurança das vacinas para esse público.
“Israel promoveu uma imunização entre os adolescentes com muito sucesso”, citou. Ele disse ainda que nos Estados Unidos foi feita uma pesquisa entre custo e benefício para a economia levando em conta a imunização de jovens e o resultado mostrou que vale a pena.
De acordo com o especialista, a pesquisa mostrou que os adolescentes se juntariam a um maior contingente de imunizados, acelerando a imunidade coletiva.
“A Inglaterra, recentemente, resolveu só vacinar adolescentes com comorbidades porque, na visão deles, o surto de covid-19 estava muito controlado e o risco era menor. Mas até mesmo lá, a discussão entre os médicos é no sentido de voltar atrás (incluir todos os adolescentes)”, concluiu.
Veja também: Restrição para vacinar adolescentes é “ruim e precipitada”, dizem especialistas
3- Há algum registro de problemas com a vacina no Estado?
De acordo com o Secretário Estadual de Saúde, Nésio Fernandes, não há registros de eventos adversos graves no Espírito Santo.
“Os eventos já registrados são leves e relacionados a praticamente todas as vacinas, como dor no local, dor no corpo no dia seguinte, em alguns casos febre, mas são eventos esperados e que não representam nenhum tipo de risco à saude”, disse.
Veja mais: Não há registros de problemas na vacinação de adolescentes no ES, afirma secretário
4- E a morte citada pelo Ministro da Saúde. Foi confirmada?
Na última sexta-feira (17) a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo concluiu que o imunizante da Pfizer não foi a causa provável do óbito da jovem, mas uma doença autoimune e rara denominada Púrpura Trombótica Trombocitopênica, ou PPT.
A jovem faleceu sete dias depois da aplicação da primeira dose. 70 profissionais foram reunidos pela Coordenadoria de Controle de Doenças e do Centro de Vigilância Epidemiológica para a análise do caso da adolescente.
“As vacinas em uso no país são seguras, mas eventos adversos pós-vacinação podem acontecer. Na maioria das vezes, são coincidentes, sem relação causal com a vacinação. Quando acontecem, precisam ser cuidadosamente avaliados”, explicou ao Portal R7 o infectologista do CVE, Eder Gatti, que participou da coordenação da investigação.
5- Por que é importante vacinar os adolescentes?
Segundo o secretário, aproximadamente 11% dos adolescentes capixabas já tiveram contato com a covid-19, sendo quase 30 óbitos nesse público entre 12 e 17 anos. Nésio reforçou, diante desse dado, a importância da imunização.
“Nós entendemos que uma estratégia de imunidade de rebanho, privando esses adolescentes da vacina e submetendo eles ao risco de transmissão, seria uma insanidade com nossas crianças, adolescentes e também com a estratégia de saúde pública de alcançar 90% de cobertura vacinal na população em geral para controlar a circulação do vírus”, afirmou.
Para a pós-doutora em epidemiologia, Ethel Maciel, vacinar os adolescentes é fundamental porque no Brasil, comparado a outros países, houve um grande número de casos e de mortes entre menores de 18 anos. “Esse cenário já coloca a necessidade de vacinação dessa faixa etária”, apontou.
Ethel reforça que os adolescentes necessitam de imunização por também conviverem nas famílias com pessoas mais vulneráveis à doença como idosos e pacientes com comorbidades. Ou seja, eles poderiam ser fator de transmissão do vírus para dentro de suas casas.
“Além disso, o grupo dos adolescentes foi extremamente prejudicado durante a pandemia pela dificuldade em manter suas atividades de interação social, que são extremamente necessárias nesse grupo, completamente diminuídas, e gerando problemas inclusive de saúde mental”, reforçou.