Saúde

Em destaque por causa da pandemia da covid-19: telemedicina veio para ficar?

A cada 10 ligações 8 são finalizadas com uma solução médica adequada para o paciente, evitando idas desnecessárias aos hospitais e pronto atendimentos

Foto: Divulgação
Atendimento médico online foi adotado para combater a proliferação do coronavírus, mas pode ser uma nova prática adotada na medicina. 

Por muito tempo, o uso das novas tecnologias no relacionamento entre médico e paciente provocou discussão no setor da saúde em todo o mundo. Recentemente, em meio a pandemia do novo coronavírus, o Ministério da Saúde junto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM/ES), autorizaram o uso da telemedicina.

Com esse serviço, pacientes recebem orientação médica, atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico no Sistema Único de Saúde (SUS) ou na rede privada.

De acordo com o médico Gustavo Peixoto, as consultas médicas online são uma das frentes adotadas no combate à proliferação do coronavírus. “A telemedicina possui 80% de resolutividade, o que significa dizer que a cada dez ligações, oito são finalizadas com uma solução médica adequada para o paciente”, disse o médico da Unimed Vitória. 

O prefeito de Vitória, Luciano Rezende, disse que o mais importante agora é evitar a transmissão do vírus de pessoa pra pessoa. “Todo o serviço que puder ser feito com pessoas que precisam de atendimento médico a distância (por telefone ou telemedicina), nós estamos dando uma grande contribuição para a diminuição da transmissão da covid-19”, disse. “Se você ligar para o 156, vamos te colocar no processo de telemedicina com um médico que vai atendê-lo nos casos que forem necessários, a distância, sem a necessidade de você sair de casa pra ir a uma unidade de saúde ou pronto atendimento”, completou o prefeito, explicando o processo. 

Usuários da telemedicina

O bancário Rodrigo Feitosa Carvalho, 42 anos, é um dos pacientes que pertence ao grupo de risco da covid-19 e que faz o uso da telemedicina. Há seis anos descobriu ser portador de fibrose cística, uma doença rara, hereditária, com risco de vida que danifica os pulmões e o sistema digestivo. Por isso, precisa de acompanhamento médico contínuo.

“Eu tinha muito problema respiratório, ao total foram 25 pneumonias, foi assim que descobri a doença. O momento em que vivemos é muito mais delicado para mim, contudo eu não posso deixar de tratar o meu problema. Quando soube que ia poder conversar com meu médico sem me expor de forma desnecessária fiquei muito contente. Eu confio no serviço e na tecnologia”, destacou. 

Veio para ficar? 

O CEO da Conexa Saúde (plataforma de telemedicina), Guilherme Weigert, comenta que em tempos de crise é comum revisitar conceitos, porque precisamos nos adaptar a situações inusitadas. Como é o caso da telemedicina que diante da pandemia deixou de ser um tema de discussão para fazer parte do arsenal de soluções diante da necessidade de isolamento social e acesso a saúde.

“Com a utilização da ferramenta surgiram muitas dúvidas em relação a esse recurso tecnológico na saúde. Por outro lado, também os limites da telemedicina parecem ter ficados mais claros, por exemplo, o limite que médico e paciente devem estabelecer para a realização de uma consulta presencial ou a distância: não existe ‘consulta presencial versus consulta a distância’. Na verdade, essas duas modalidades de atendimento ao paciente são complementares, ou seja, uma não exclui a outra”, destacou.

Dessa forma, esta é uma opção de atendimento médico que pode se estender e continuar sendo executada na saúde pública e privada.

Utilização da telemedicina

A telemedicina é utilizada em diversos setores da saúde, como cardiologia, neurologia, radiologia, enfermagem, oncologia, oftalmologia e também na atenção primária. “Na cardiologia, por exemplo, a telemedicina associada a outros dispositivos (alguns comprados em farmácias) permite que o médico monitore a distância pacientes com marca-passo ou durante a teleconsulta e verifique quadros de arritmia cardíaca”, comentou Guilherme Weigert. 

Substitui a consulta presencial ? 

De acordo com o CEO, a teleconsulta e consulta presencial são complementares. Cabe ao médico saber qual é o limite entre as duas situações. Um dos benefícios experimentados durante a pandemia do novo coronavírus foi justamente fazer a triagem dos pacientes na teleconsulta, encaminhando para o atendimento presencial apenas os casos que necessitavam realmente. Esse procedimento é válido em qualquer situação, não somente em momentos de pandemia, e traz benefícios para médicos, pacientes e sistema de saúde.