Mulher com dor
Mulher com dor. Foto: Canva

Março é o mês da conscientização sobre a endometriose, um período dedicado a informar e sensibilizar a população sobre a doença, promovendo o diagnóstico precoce e o acesso a tratamentos adequados.

A endometriose é uma condição ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.

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Caracteriza-se pela presença de tecido semelhante ao endometrial fora do útero, principalmente nos ovários, trompas de Falópio e região pélvica. Esse tecido pode causar inflamação, dor e formação de aderências, comprometendo a fertilidade feminina.

Os sintomas podem variar de mulher para mulher, sendo os mais comuns: cólicas menstruais intensas e incapacitantes; dor persistente na região pélvica, mesmo fora do período menstrual; dor durante ou após as relações sexuais; dor ao evacuar ou urinar, especialmente durante o período menstrual; sensação de cansaço constante; dificuldade para engravidar, que pode ser o único sintoma em alguns casos.

A doença também pode cursar sem sintomas em cerca de 20% dos casos e a intensidade dos sintomas não guarda relação com a gravidade da doença.

Interferência na fertilidade

A endometriose pode afetar a fertilidade de diversas formas:

  • Obstrução das trompas de Falópio: aderências podem impedir a captação do óvulo pelas tubas uterinas.
  • Comprometimento da ovulação: a inflamação crônica pode prejudicar a liberação e qualidade dos óvulos.
  • Alteração do ambiente uterino: a endometriose pode dificultar a implantação do embrião.
  • Resposta imunológica alterada: o organismo pode rejeitar os espermatozoides ou embriões, reduzindo as chances de fecundação.

Tratamentos disponíveis

O tratamento da endometriose depende da gravidade dos sintomas e do desejo de gravidez da paciente. As opções incluem:

    Terapia hormonal

    • Uso de anticoncepcionais, DIU hormonal, análogos de GnRH ou progestágenos para reduzir o crescimento do tecido endometriótico.

    Cirurgia e congelamento de óvulos

    • Indicada quando a paciente sente dor que prejudica a qualidade de vida e quando a doença é superficial, objetivando gravidez natural no pós-operatório. Porém, é importante realizar o congelamento de óvulos ou embriões antes da cirurgia para preservar a reserva ovariana.

    Fertilização in vitro (FIV)

    Se a paciente tem endometriose profunda, endometrioma, obstrução tubária, a fertilização in vitro (FIV) é o tratamento mais eficaz para obtenção da gravidez. Além dos tratamentos médicos, mudanças no estilo de vida podem ajudar no controle dos sintomas, como:

    • ter alimentação anti-inflamatória,
    • fazer atividade física regular,
    • controle do estresse,
    • terapias complementares, como acupuntura e fisioterapia pélvica.

    A endometriose é uma condição desafiadora, mas com tratamento adequado, muitas mulheres conseguem controlar os sintomas e preservar sua fertilidade.

    O acompanhamento com um ginecologista especializado é essencial para um diagnóstico precoce e um plano de tratamento eficaz.

    Dra. Layza Merizio Borges

    Colunista

    Médica. Mestre (IAMSPE-SP) e Doutora (UNIFESP) em Reprodução Assistida. Título de Especialista em Reprodução Assistida pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Membro internacional da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e de Reprodução Assistida (SBRA). Responsável Técnica do Instituto de Medicina Reprodutiva. @medicinareprodutiva

    Médica. Mestre (IAMSPE-SP) e Doutora (UNIFESP) em Reprodução Assistida. Título de Especialista em Reprodução Assistida pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Membro internacional da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e de Reprodução Assistida (SBRA). Responsável Técnica do Instituto de Medicina Reprodutiva. @medicinareprodutiva