Um idoso de 69 anos sofria de um problema intestinal grave causado por uma superbactéria (resistente aos antibióticos). Neste caso, o método indicado para tratar a doença é o trasplante fecal, onde ocorre a transferência das fezes de um doador saudável para uma pessoa doente. Pela primeira vez, o procedimento foi realizado no Espírito Santo, pelo Hospital Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória.
De acordo com o gastrocirurgião Alexandre Sakano, o transplante fecal é um método autorizado por entidades médicas, para tratar casos de colites psecolite udomembranosas ocasionadas pela bactéria Clostridium dificille.
“Hoje, existem transplantes fecais como tratamento experimental para melhora de imunidade, para doenças intestinais inflamatórias (DII), emagrecimento e até mesmo para o autismo, mas não existe nenhuma comprovação científica quanto a isso. A única doença autorizada para utilizar esse tratamento é a colite psudomembranosa”, afirma o médico.
O médico afirma que o paciente contrai esse tipo de colite, geralmente, quando está internado com infecções graves. O problema faz com que essa pessoa apresente sangramentos, diarreia grave e até perfurações intestinais, podendo não ter respostas a alguns antibióticos.
Com a falta de resposta ao medicamento, o paciente pode ser submetido ao transplante fecal. “No procedimento, são colhidas fezes de uma pessoa saudável, que passa por testes de inúmeras doenças, como HIV e hepatites, e de outras bactérias. Depois, essas fezes passam por uma limpeza e são misturadas com soro fisiológico e, aí, são injetadas na pessoa que está passando pelo tratamento, por meio de uma sonda, que pode ser oral, nasal ou via retal”, explica Sakano.
Assim, ao colocar as fezes saudáveis de maneira artificial, as bactérias deste material ajudariam a combater a infecção ocasionada pela Clostridium dificille, matando-a.
O procedimento é considerado simples, e a pessoa pode retornar para sua casa no mesmo dia, dependendo da gravidade do quadro. Sakano afirma que a melhora pode ser imediata ou aparecer até dois dias após o procedimento.
O médico comenta que o transplante fecal não costuma dar rejeições. Após o procedimento, o paciente não deve continuar a tomar antibióticos, pois o uso do medicamento pode fazer com que as novas bactérias “do bem” morram.
* Fonte médica do Portal R7