fraqueza muscular
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Você já percebeu que seu corpo não está tão forte quanto costumava ser? Talvez subir escadas tenha se tornado mais cansativo ou carregar objetos leves pareça mais difícil do que o normal.

A fraqueza muscular pode passar despercebida no início, mas é um sinal importante que merece atenção. Diferente do cansaço, que melhora com descanso, a fraqueza é a incapacidade de gerar força suficiente nos músculos, mesmo com esforço.

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Fraqueza muscular: evolução pode ser lenta

Esse sintoma pode surgir de repente ou evoluir lentamente, e suas causas variam desde algo simples, como desidratação, até condições neurológicas ou metabólicas mais graves.

Entre as possíveis causas, as doenças neuromusculares estão entre as principais. A miastenia gravis, por exemplo, é uma condição autoimune que interfere na comunicação entre nervos e músculos, levando à fraqueza, especialmente em regiões como olhos, rosto e membros.

Essa fraqueza tende a piorar ao longo do dia e com o esforço. Já as distrofias musculares, que são doenças genéticas, causam uma degeneração progressiva dos músculos, resultando em perda de força que se agrava com o tempo.

Atenção à síndrome de Guillain-Barré

Outra condição importante é a síndrome de Guillain-Barré, em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos. Nesse caso, a fraqueza geralmente começa nas pernas, podendo avançar para os braços e, em casos graves, comprometer até os músculos respiratórios.

Fraqueza muscular também pode ser um dos primeiros sinais de um acidente vascular cerebral (AVC). Quando a fraqueza surge de forma súbita em um lado do corpo, é um indicativo de que algo no cérebro foi afetado, como a área responsável pelos movimentos.

Buscar ajuda médica é fundamental

Em situações como essa, buscar ajuda médica imediata é crucial. Doenças neurodegenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), também podem causar fraqueza progressiva, à medida que os neurônios motores são destruídos.

Por outro lado, problemas mais localizados, como hérnias de disco, podem causar compressão nervosa, resultando em fraqueza em áreas específicas, como braços ou pernas.

Embora a fraqueza muscular ocasional após um esforço físico intenso seja normal, algumas situações exigem atenção médica. Procure ajuda se notar:

  • Fraqueza que surge de forma súbita.
  • Dificuldade para respirar ou engolir.
  • Perda de força progressiva, sem melhora com descanso.
  • Fraqueza acompanhada de outros sintomas, como formigamento, perda de equilíbrio ou dificuldade para falar.

Esses sinais podem indicar condições sérias que precisam de avaliação urgente.

O diagnóstico geralmente começa com uma avaliação clínica detalhada, seguida de exames específicos, como ressonância magnética para verificar o cérebro e a medula, ou eletroneuromiografia, que avalia a função dos nervos e músculos.

Exames de sangue também podem ajudar a identificar alterações metabólicas ou marcadores de doenças autoimunes.

Tratamento depende da causa

O tratamento, claro, depende da causa. Em casos como a miastenia gravis ou a síndrome de Guillain-Barré, o uso de medicamentos imunomoduladores e fisioterapia é essencial para controlar os sintomas e recuperar a função muscular.

Em situações de compressão nervosa, como hérnias de disco, intervenções cirúrgicas podem ser necessárias. Para doenças neurodegenerativas, o foco é oferecer suporte e melhorar a qualidade de vida do paciente, garantindo que ele tenha o máximo de funcionalidade possível.

Fraqueza muscular é um sintoma que pode parecer inofensivo, mas que muitas vezes esconde problemas mais sérios.

Por isso, não ignore os sinais do seu corpo. Se algo não está certo, procure ajuda médica. Diagnosticar precocemente é a chave para um tratamento eficaz e para recuperar sua força e qualidade de vida.

Dra. Camila Resende

Colunista

Médica. Neurologista e Neurofisiologista (Residência médica USP - RP). Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC). @dracamilaresende

Médica. Neurologista e Neurofisiologista (Residência médica USP - RP). Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC). @dracamilaresende