Freio na língua: quando devemos operar?

Muito tem se falado sobre o freio lingual, em especial em bebês. Entretanto, essa estrutura pode ter sua indicação de cirurgia ao longo da vida, por isso torna-se tão importante avaliar cada paciente em sua fase e diagnosticar se o procedimento será necessário. Ainda existem muitas dúvidas sobre esse tema. Diante disso, torna-se muito importante abordarmos em detalhes.

O que é o freio na língua?

O freio da língua é uma estrutura que conecta a língua ao assoalho da boca e é comum que todas as pessoas o possuam, entretanto quando alterada pode acarretar problemas ao paciente. Nos bebês, a língua deve estar em posição adequada e acoplada ao palato pois além da função de sucção e auxílio à amamentação, ela estimula o crescimento da maxila, amolda a formação do palato e melhora a postura da boca na respiração.

No nascimento muito tem sido visto dos problemas que podem causar durante a amamentação, com fissuras, muita dor, depressão, bebês ansiosos e com crises de choro, mamadas ineficientes, com longa duração, sem ganho de peso adequado e engasgos, que podem indicar a necessidade de intervenção fonoaudiológica e odontológica precoce.

Na fase do desenvolvimento da comunicação oral da criança, por volta dos 2 a 6 anos de idade, a presença de freio lingual alterado pode ser causa de alterações na fala em crianças. Mas além da cirurgia, o acompanhamento fonoaudiológico é fundamental.

O freio lingual mal posicionado pode até mesmo estar relacionado a problemas respiratórios no adulto, como a apneia obstrutiva do sono, sendo uma das possíveis causas que colaboram com a posição alterada da língua durante o sono. Durante a noite de sono a presença de freio com inserção alterada deixa a língua em uma posição mais inferior e posterior da boca, potencializando possíveis obstruções mecânicas da língua na orofaringe.

Muitos estudos científicos mostram que a frenotomia, quando indicada para esses casos, auxilia no tratamento da apneia obstrutiva do sono, seja pelo uso do aparelho intraoral ou o CPAP. O tratamento cirúrgico do freio lingual é coadjuvante ao tratamento da apneia do sono.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico e o tratamento devem ser realizados após avaliação adequada. É necessário o envolvimento de diversos profissionais, como: pediatra, odontopediatra, fonoaudiólogo, osteopata e consultores de amamentação, pois a indicação de tratamento clínico ou cirúrgico (frenotomia) dependerá não apenas da anatomia do freio lingual mas da perda de função e comprometimento do paciente.

Para os casos nos quais a cirurgia está indicada, torna-se importante avaliar cuidadosamente o melhor momento para ser realizado para que esse procedimento aconteça com segurança.

Assim sendo, quando existe a necessidade da cirurgia de frenotomia, existem mais vantagens em que seja usado o laser de alta potência. A cirurgia a laser tem um pós-operatório significativamente menos doloroso comparada a cirurgia convencional, a incisão a laser no tecido mole é mais preciso e apresenta menos riscos de hemorragia, e possibilita reabilitação miofuncional mais precoce.

Além disso, a cirurgia a laser apresenta melhor aceitação por apresentar tempo de cirurgia mais curto, a não necessidade de sutura, uma melhor recuperação no pós-cirúrgico. Se você através do auto exame diagnosticou que possui um freio da língua “ preso” procure um especialista para avaliar se existe indicação cirúrgica.

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Dra. Martha Salim

Colunista

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim