Saúde

Insônia crônica? Conheça os tipos e saiba como tratar

Especialistas explicam cada tipo da doença e sugerem novos hábitos para superar o problema

Foto: Reprodução/Freepik – @gpointstudio

Entre as doenças que têm se tornado cada vez mais comuns para os brasileiros, a insônia ocupa uma posição elevada. Caracterizado pela privação de sono, o problema pode se tornar crônico após um período de 3 meses.

De acordo com um estudo produzido em 2022 por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) juntamente com especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 65,5% da população brasileira confessou ter dificuldades associadas ao sono. Mas como identificar a insônia de maneira específica?

Tipos de insônia

A neurologista e professora da Unifesp, Dalva Poyares, contou em entrevista ao Portal R7 que existem diferentes tipos de insônia. 

A primeira seria um mal dormir ocasional, causado por algum tipo de estresse,  situação preocupante ou estimulante, que bloqueiam o descanso. 

A neurologista ainda comenta sobre a chamada insônia comórbida, associada a doenças físicas ou mentais. Pacientes de insônia comórbida possuem outros sintomas como ansiedade, dor crônica, cefaleia, distúrbios de tireoide etc. 

O psiquiatra Marco Abud, porém, explicou sobre a insônia crônica:

“Se a insônia durar mais de 3 meses, pelo menos 3 vezes por semana, isso faz com que o cérebro entre em um condicionamento. A gente aprende, por rotina, a não dormir. E aí existe uma série de fatores que regulam o sono, o corpo se adapta”, pontua.

O condicionamento do corpo às poucas horas de sono, no entanto, produz uma série de consequências. Dalva Poyares destacou ainda alguns sintomas da insônia: 

• Distúrbio de funcionamento durante o dia;

• Cansaço;

• Mal-estar;

• Fadiga mental;

• Sonolência (o que não significa conseguir dormir durante o dia);

• Alterações de humor;

• Alterações de memória, concentração e atenção;

• Sintomas de depressão (em longo prazo).

A médica ainda afirma que mesmo indo dormir no horário correto, aqueles que sofrem com insônia podem não ser capazes de descansar como deveriam. 

O que pode ser feito?

A insônia, quando não muito grave, pode ser tratada, preferencialmente, sem medicamentos. Uma das melhores soluções para o problema é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). 

Ainda segundo o psiquiatra Marco Abud, a TCC-I pode ser visualizada como um treino de hábitos. 

“Basicamente, é treinar pensamentos que surgem e podem atrapalhar a dormir e, principalmente, hábitos que você tem que mudar, de uma forma repetitiva, à medida que consiga favorecer os mecanismos que o corpo já tem para dormir”, disse ao R7.

Durante a TCC-I, o paciente irá analisar a rotina, pensamentos e hábitos e identificar padrões prejudiciais para abandonar. A abordagem pode ser feita com o auxílio de psicólogos ou psiquiatras. 

Remédios e medicamentos 

Os especialistas alertam ainda para o cuidado ao adquirir remédios e medicamentos para o tratamento de insônia. 

No desespero de conseguir dormir, muitas pessoas abusam de medicamentos não indicados por conta própria e se tornam dependentes. 

“Nenhum tipo de suplemento ou remédio vai conseguir imitar [o sono natural]. O remédio ou suplemento pode dar um conforto, até que seja possível você reorganizar seus hábitos e o ambiente para resgatar a capacidade de dormir”, destacou Abud.

Dicas que podem ajudar

Casos mais graves da doença precisam de acompanhamento profissional. No entanto, ocorrências esporádicas podem ser diminuídas com a adoção de hábitos saudáveis. 

Marco Abud explicou que o essencial é regular o relógio biológico. “O nosso maquinário biológico foi feito para ter rotina. Uma grande parte das funções biológicas é de funções circadianas, que têm a ver com essa oscilação de luz solar que a gente tem”, contou.

Para manter a regularidade, Abud recomendou acordar todos os dias no mesmo horário e, de preferência, antes das 9h. Após despertar, permanecer exposto à luz do solar por meia hora pode ser uma boa opção para condicionar o relógio biológico.

Dalva ainda complementou explicando que regularidade não significa apenas acordar e dormir cedo. 

“Tem gente que fala: ‘Eu tenho que dormir às 22h’. Não! Se o seu horário biológico for meia-noite, você vai dormir perto da meia-noite. Se se deitar às 22h, vai vivenciar uma demora [para adormecer]. Mas ter uma regularidade é importante, ainda que seja mais tarde, e ter um número mínimo de horas”, destacou. 

Além da regularidade, realizar atividades físicas e manter uma dieta saudável são hábitos que contribuem para uma melhor rotina de sono.

Evitar cafeína à noite também é uma maneira de aprimorar o relógio biológico, além de não utilizar telas e dispositivos eletrônicos perto do horário de sono, pois a luz azul transmitida para o cérebro passa a sensação de iluminação diurna, o que impede a produção do hormônio que regula o sono, a melatonina. 

*Com informações do Portal R7