Em meio à pandemia do novo coronavírus, é cada vez mais importante manter a doença sob controle para evitar complicações ligadas à covid-19. Na última segunda-feira, dia 26 de abril, comemoramos o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.
“Há muitas questões a serem respondidas sobre a doença, mas já se sabe que pacientes com hipertensão, diabetes e obesidade tendem a ter mais complicações que podem levar à morte”, explica o cardiologista e coordenador da Unidade Coronariana do Vitória Apart Hospital, Jorge Gadioli.
O especialista explica que, em tempos de pandemia, pacientes com doenças crônicas precisam estar ainda mais atentos. “A pandemia exige de nós um comportamento mais recluso, responsável e pede o isolamento social sempre que possível. Mas isso não significa abandonar tratamentos, deixar de tomar remédios e de fazer o acompanhamento médico necessário para o controle”, diz.
A orientação é não abrir mão da medicação, manter a rotina de acompanhamento médico e estar em contato com o profissional em caso de qualquer descontrole ou sintoma.
Além disso, é importante zelar por uma alimentação saudável e, mesmo dentro de casa, ter uma rotina de exercícios adequada à idade e às condições clínicas de cada paciente.
Fazer parte de grupos de risco exige mais cuidados
O cardiologista acredita que é importante esclarecer que fazer parte de um chamado “grupo de risco” não é uma sentença, mas um reforço na necessidade de prevenção e cuidados.
“Não significa que o paciente terá Covid ou que, caso tenha, será um caso grave. Mas nosso papel é alertar em prol do cuidado e da vida. O controle da pressão arterial é importante para o bom funcionamento do organismo como um todo, das funções cardíacas às renais, por exemplo”, completa.
No caso específico da Covid, a infectologista do Vitória Apart Hospital, Polyana Gitirana – desde o início da pandemia atuando na linha de frente e estudando o comportamento do coronavírus nos indivíduos infectados -, afirma a hipertensão é mais um fator de preocupação em situações de infecções ou inflamações, incluindo as causadas pela Covid.
“É uma doença que já tende a modificar nossas respostas metabólicas e inflamatórias, além de comprometer órgãos importantes como o coração, os rins”, considera.
Dicas dos especialistas para controlar a doença
O cardiologista e coordenador da Unidade Coronariana do Vitória Apart Hospital, Jorge Gadioli, esclereceu algumas dúvidas sobre o tratamento de hipertensão em meio aos casos de covid-19. Veja as orientações:
Qual a importância de continuar o tratamento para hipertensão durante a pandemia?
Segundo especialistas, pacientes hipertensos devem continuar sua rotina de cuidados, mantendo as medicações sintomáticas, e suporte clínico a depender das necessidades.
Fumantes e diabéticos devem manter um controle especial. O cigarro é fortemente desaconselhado para os hipertensos, pois seria um segundo fator de sobrecarga para a circulação sanguínea. O controle da diabetes também deve ser regular, com a dieta adequada e exercícios físicos indicados.
Evite também substâncias que possam aumentar a pressão arterial, como medicamentos de venda livre para aliviar a dor (por exemplo, ibuprofeno), bebidas alcoólicas e cafeína;
As pessoas com hipertensão têm maior probabilidade de contrair a covid-19?
Não. Quem tem hipertensão, especialmente os mais idosos, têm maior probabilidade de apresentar sintomas graves de Covid-19 do que os que não são hipertensos. A mortalidade por coronavírus também é maior em pessoas com hipertensão.
Devo adotar cuidados especiais para evitar o contágio?
Os cuidados são os mesmos para todos, mas quem tem uma ou mais comorbidades deve redobrar a atenção.
O que fazer se me sentir mal?
Uma emergência no caso de hipertensão arterial ocorre quando a pressão chega a 180/120 mmHg. Muitas vezes, ocorrem sintomas como dor no peito, dor de cabeça, dificuldade para respirar ou falar, alteração na visão ou aumento da confusão mental. Procure atendimento médico se não estiver se sentindo bem.
Ansiedade tem relação com hipertensão?
Situações de estresse e ansiedade podem repercutir, sim, sobre a pressão. São tempos difíceis, mas é importante buscar alternativas para manter o equilíbrio e a saúde mental.