Vacinação evitou morte de quase 14 mil idosos acima de 80 anos no Brasil

Saúde

Vacinação evitou morte de quase 14 mil idosos acima de 80 anos no Brasil

Em 2020, os idosos com mais de 80 anos representavam de 25% a 30% das mortes por covid-19. Já em abril, o percentual caiu para 13%, o menor registrado nessa faixa etária desde o começo da pandemia.

Foto: Divulgação

Em três meses, pelo menos 13.824 mortes de idosos com mais de 80 anos foram evitadas. A conclusão foi de um estudo feito pela Universidade Federal de Pelotas, em parceria com a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No Brasil, as vacinas contra a covid-19 começaram a ser aplicadas no dia 17 de janeiro. 

Os pesquisadores usaram como base dados fornecidos pelo Ministério da Saúde. Foram considerados o número de mortos e a cobertura vacinal, de 3 de janeiro até 22 de abril. Além disso, compararam os dados com os óbitos registrados antes da campanha de vacinação.

Em 2020, os idosos com mais de 80 anos representavam de 25% a 30% das mortes por covid-19. No mês de janeiro de 2021, esse índice chegou a 28% do total de mortes. Já em abril, o percentual caiu para 13%, o menor registrado nessa faixa etária desde o começo da pandemia.

Vacinação avança e percentual de mortes diminui

O nível de cobertura vacinal com a primeira dose alcançou 50% entre as pessoas acima dos 80 anos na primeira quinzena de fevereiro; 80%, na segunda quinzena de fevereiro, e ficou em torno de 95% em março.

A queda na mortalidade dessa faixa etária desde fevereiro é compatível com um efeito protetor da primeira dose das vacinas e eficácia ainda mais alto a partir da segunda dose.

A CoronaVac representou 77,3% dos imunizantes aplicados no período da pesquisa e a Oxford, 15,9%. Victor aponta que diante dos resultados positivos, a vacinação é a principal solução para conter a epidemia no Brasil.

“Uma vez que medidas como distanciamento social e uso de máscara não estão sendo uniformemente aplicadas na maior parte do país, o rápido progresso da vacinação continua sendo a abordagem mais promissora para controlar a pandemia em um país onde mais de 400 mil vidas já foram perdidas para a covid-19”, disse o infectologista.

Proteção contras as novas variantes do vírus

Os cientistas verificaram também a resposta positiva dos imunizantes CoronaVac e Oxford diante da variante P.1, surgida a primeira vez no fim de 2020, em Manaus. Uma vez que a cepa amazônica foi a predominante no país no período da pesquisa.

O estudo foi publicado no MedRxiv, site ligado à Universidade de Yale que distribui versões pré-publicação de artigos científicos sobre ciências da saúde.

"O rápido aumento da cobertura vacinal entre idosos brasileiros foi associado a um declínio importante na mortalidade relativa em comparação com indivíduos mais jovens, em um ambiente onde a variante P.1 predomina", apontaram os pesquisadores.

O epidemiologista Cesar Victora, líder do estudo da UFPel, afirmou ao site da instituição que é a primeira pesquisa feita em um lugar com predimínio da mutação brasileira.

“Estudos têm demonstrado a associação entre vacinação e declínio no número de hospitalizações e mortes em populações como a de Israel, por exemplo. No entanto, até agora, nenhum dos estudos populacionais sobre mortalidade havia sido realizado em um cenário de predominância da variante P.1, como é o caso do Brasil”, diz o médico.

*Com informações do Portal R7