Entenda por que fazer teste de covid-19 depois da vacina não comprova eficácia do imunizante

Saúde

Entenda por que fazer teste de covid-19 depois da vacina não comprova eficácia do imunizante

Médico epidemiologista explicou que nos testes laboratoriais, a chamada imunidade celular, realizada pelos linfócitos T, é ignorada

Bianca Santana Vailant

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação

Em meio à ondas de informações falsas e críticas à vacina contra covid-19, muitas pessoas questionam a eficácia do imunizante. Tem sido cada vez mais comum encontrarmos pessoas relatando que, após a vacina, fizeram testes de antígeno para saber se realmente estavam imunizadas. Mas, segundo especialistas, essa não é uma estratégia eficiente. 

O Jorge Bonfim tem 68 anos e foi um dos brasileiros que fez o teste depois de se vacinar. Ele contou que teve covid-19 e ficou 20 dias internado. No dia 31 de março deste ano, tomou a primeira dose da CoronaVac. 

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
"14 dias depois de ter tomado a segunda dose da vacina eu resolvi, por minha conta, pagar um teste particular para verificar quantidade de imunização que eu tinha no corpo. Eu sabia que o teste tinha que dar pelo menos 1%. O meu deu 17%, então pra mim a vacina foi excelente. No meu caso e específico eu só tenho que agradecer às autoridades  e em primeiro lugar a Deus", afirmou o aposentado.

A Luci Balbi também fez o teste. Em dezembro de 2020 ela teve covid-19 e ficou internada por 17 dias. Nesse período precisou usar oxigênio, e teve quase 70% do  pulmão tomado. Ela contou que depois de enfrentar a doença, ficaram várias sequelas emocionais. 

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
"Eu consegui tomar minha vacina em março, e em abril a segunda dose da CoronaVac. Por conta de tudo que ouvi sobre a vacina, quando comparada a outros imunizantes, eu decidi juntamente com minha família, fazer o teste de imunização. Na minha cabeça uma forma de me sentir mais segura", disse. 

Luci seguiu a mesma teoria de Jorge para confirmar a eficácia da vacina. "Para ser reagente, eu precisava de estar com anticorpos acima de 1%, e eu estava com 53%. Vibramos tanto quanto o dia da minha alta!", afirmou.


Leia também: RT-PCR ou teste de antígeno? Entenda como funcionam os testes contra covid-19

Entenda por que os testes feitos depois da vacina não determinam a se estamos protegidos

Apesar de trazer uma certa tranquilidade para muitos, de acordo com o epidemiologista Daniel Gomes, não é indicado fazer testes depois da vacina contra covid-19 por dois motivos:

Determinação de imunidade: Daniel explicou que nos testes laboratoriais, a chamada imunidade celular, realizada pelos linfócitos T, é ignorada. 

"A imunidade do indivíduo é formada por dois braços. Um dos braços a gente chama de imunidade humoral e a outra que é a imunidade relacionada à produção de anticorpo e a segunda o segundo braço é chamado de imunidade celular. Quando você faz a dosagem de anticorpo, você só tá analisando uma parte daquela resposta que vai ser importante para proteger o indivíduo após a vacinação", explicou o especialista. 

Análise feitas pelos testes: ainda de acordo com o epidemiologista, o resultado positivo ou negativo dos testes não indica a proteção do indivíduo vacinado. 

"A análise dos títulos de anticorpo nesses laboratórios farmacêuticos, ou pelo menos grande parte dos testes, não analisam a parte do anticorpo responsável pela proteção que a gente chama de anticorpo neutralizante eles analisam a produção de anticorpo total anti-Sars-Cov, mas ignoram a produção de anticorpos neutralizantes, e são esses anticorpos que vão proteger o indivíduo", disse. 

Segundo o epidemiologista, não são todos os anticorpos produzidos contra os componentes do vírus que garantem proteção, e sim aqueles chamados de anticorpos neutralizantes. "Muitos desses testes analisam tudo, então os resultados desses testes não são indicativos de imunidade", ponderou.

Eficácia de vacinas não deve ser questionada

O epidemiologista disse ainda que as vacinas sempre fizeram parte do nosso dia a dia, e que nunca foram tão questionadas quanto nesse período. 

"Eu acho importante puxar a orelha das pessoas no sentido de que nós sempre tomamos vacina e nós nunca nos importamos determinar os anticorpos desse imunizante, porque a gente sempre acreditou que a vacina ia nos proteger. Não deveria ser diferente com a covid", disse. 

Daniel Gomes reforçou que, em meio à pandemia é fundamental dar crédito à ciência, e ponderou que testes de eficácia que comprovam a eficiência e a importância da vacina já foram realizados.

"A gente tem que acreditar que aquela vacina que a gente tá tomando é a melhor vacina do planeta, e que de fato ela é né? Então essa dosagem pós-vacinação é descabida e sem propósito. A vacina já se mostraram protetoras e seguras, de modo que nós dão devemos nos preocupar. É simplesmente acreditar na ciência, literalmente dar o braço a torcer e se vacinar", finalizou

Cuidados continuam mesmo depois da vacinação

Luci e Jorge fizeram os testes para se sentirem mais seguros com relação à vacina. Mas, apesar das dúvidas, os dois compartilham uma única certeza: mesmo depois de vacinados, os cuidados não podem parar.

"Eu continuo me cuidado e tomando todos os cuidados necessários, como a máscara, uso do álcool e não aglomeração. Continuo sonhando com dias melhores, e torcendo que a vacina chegue enquanto antes para todos nós! E lamento muito por aqueles que não tiveram a mesma sorte que eu", disse Luci.