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Convênios médicos são obrigados a cobrir tratamentos para dislexia

Saúde

Convênios médicos são obrigados a cobrir tratamentos para dislexia

Alguns convênios têm se negado a oferecer cobertura; para requerem seus direitos, famílias são obrigadas a entrar na justiça

Foto: Divulgação
>> Sem acesso ao convênio médico, a família pode ter uma despesa média de R$ 3.000,00 por mês.

Se você é pai ou responsável de crianças com algum tipo de distúrbio neurológico, como a dislexia, o autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e leocomalácia, fique sabendo que a criança tem direito ao tratamento completo pelo convênio médico. Apesar de não ter cura, quanto mais cedo o distúrbio for diagnosticado e receber suporte adequado, mais favoráveis serão os resultados para uma melhor qualidade de vida.

A dislexia, por exemplo, se não acompanhada de forma apropriada, pode limitar o desenvolvimento nos estudos e na carreira e, em casos mais graves, levar à depressão. Para tanto, existem alternativas para controlar os sintomas, que consistem em psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, equoterapia e música terapia. 

>> Sem acesso ao convênio médico, a família pode ter uma despesa média de R$ 3.000,00 por mês.

Segunda a advogada Adriana Moretti a falta de informação e de conhecimento levam às pessoas a não requerem seus direitos e, muitas vezes, por limitação financeira, ficam sem acesso ao tratamento, tão fundamental para o desenvolvimento de um portador de distúrbio neurológico.

“Esse tipo de tratamento não corresponde as diretrizes de utilização estabelecidas no rol da Agência Nacional de Saúde ( ANS), e a maioria dos casos tem a cobertura negada baseada em cláusula contratual restritiva. Porém, a Constituição Federal dá o direito à vida e, por meio de ação judicial, é possível ter a cobertura completa”, explicou a advogada, especialista em Direito Médico e da Saúde. “É importante reiterar que não se trata de uma ação judicial simples. É preciso saber quais os caminhos percorrer e como fazê-los. Nos meus casos, tive êxito com ganho de causa em todos os processos”, completou.

Foto: Divulgação
Abrir um livro e fazer um determinado exercício, é um desafio para os disléxicos.

Dislexia 

A dislexia é um distúrbio que afeta a capacidade de ler e escrever. A condição afeta cerca de 5% da população brasileira e 17% da população mundial, de acordo com o Instituto ABCD, organização social voltada para jovens com dislexia e outras dificuldades de aprendizagem. 

Sintomas

Crianças com dislexia costumam demorar mais para ler do que as outras. Isso acontece porque elas têm dificuldade em identificar palavras e associá-las a seus sentidos. O problema prejudica a consciência fonográfica, isto é, a habilidade de diferenciar sons parecidos. Assim, letras com pronúncias semelhantes, como B e D, costumam ser trocadas na escrita, o que gera erros ortográficos. Crianças disléxicas também têm dificuldade de memorizar regras de ortografia e até de juntar duas letras para formar uma sílaba simples.

A dislexia afeta, ainda, a memória operacional, conhecida popularmente como memória de curto prazo, acionada para anotar um número de telefone antes de esquecê-lo ou ao realizar operações matemáticas. Por isso, ordens longas, como abrir um determinado livro em uma determinada página e fazer um determinado exercício, são um desafio para os disléxicos.

Por se tratar de distúrbios neurológicos, não existe prevenção. Para detectá-lo é realizado um longo acompanhamento por uma equipe multidisciplinar. Após profunda análise, incluindo exame de ressonância, testes de audição, visão, provas de fluência verbal e desempenho cognitivo, é identificado o tipo de distúrbio, além de apontar possíveis problemas emocionais ou neurológicos, que interfiram na leitura e na escrita para que seja prescrito o tratamento ideal. “O paciente luta e vence todos os dias. Através da especialização em direito médico e da saúde, pude ver o mundo com outros olhos”, finalizou Adriana. 

* Com informações da Repórter do Folha Vitória, Larissa Agnez.