O número de cirurgias de hérnia da parede abdominal realizadas em fevereiro (quando foi confirmado o primeiro caso de covid-19 no Brasil) registraram uma redução de 29% em relação às operações feitas em janeiro, de acordo com dados apresentados pelo DataSus.
A diferença é de cerca de 5,3 mil cirurgias em relação ao mês anterior, com redução de 17,9 mil para 12,6 mil. Todas as regiões do país registraram queda proporcional na quantidade de operações. A recomendação do Ministério da Saúde para adiar as cirurgias eletivas ocorreu apenas em meados de março, não interferindo nas informações apresentadas nesta matéria.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Hérnia, Christiano Claus, atualmente são realizadas apenas cirurgias consideradas de urgência e emergência. “Nas hérnias abdominais isso ocorre em casos de encarceramento e estrangulamento da hérnia, que é a complicação mais temida. O conteúdo da hérnia, que geralmente é o intestino, fica preso no canal herniário podendo comprometer o fluxo de sangue”, explica.
A medida das cirurgias de urgência é adotada para evitar a transmissão do covid-19 no ambiente hospitalar e manter leitos livres para atender os pacientes infectados pelo novo Coronavírus.
O vice-presidente da SBH, Marcelo Furtado, explica que os casos de urgência devem ser avaliados de forma particular. “Os pacientes devem procurar o pronto-atendimento em caso de sintomas como ver a hérnia mais visível que o normal, dor intensa com piora rápida, abdômen distendido, sentir a hérnia dura e apresentar náuseas e vômitos”.
As orientações quanto a realização de cirurgias eletivas deve considerar orientações do Ministério da Saúde e a realidade local no que se refere a taxa de infecção da população e taxa de ocupação hospitalar.
O QUE É UMA HÉRNIA ABDOMINAL?
São orifícios ou fraquezas na musculatura da parede abdominal pelo qual os órgãos intra-abdominais podem atravessar. O local de passagem do cordão umbilical é um exemplo de região de fragilidade, onde ocorrem as hérnias umbilicais. Entre os sintomas comuns está o aumento de um volume na região, causando um abaulamento (bola) na forma do abdome, associado a dor ou desconforto local.