Imagem gerada por IA/Freepik
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Viajar de avião é uma experiência emocionante para muitos, mas para outros pode ser desconfortável devido à sensação de pressão ou dor nos ouvidos.

Esse incômodo é bastante comum durante a decolagem e a aterrissagem e pode afetar pessoas de todas as idades, especialmente crianças.

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A origem do problema está na relação entre a pressão atmosférica e o funcionamento do ouvido humano.

O que causa o desconforto nos ouvidos?

Para explicar o desconforto auditivo durante o voo, é essencial entender a função da tuba auditiva. Essa estrutura conecta a orelha média à parte posterior do nariz e à garganta, ajudando a equilibrar a pressão do ar nos dois lados do tímpano.

Em condições normais, a tuba auditiva abre e fecha periodicamente quando engolimos, bocejamos ou mastigamos. Isso permite que o ar entre ou saia do ouvido médio, igualando a pressão interna com a externa.

Mudanças de pressão e seus efeitos

Durante a decolagem e a aterrissagem, o avião passa por mudanças rápidas de altitude, provocando variações na pressão atmosférica:

  • Na decolagem: a pressão externa cai, enquanto a pressão no ouvido médio permanece alta. Isso empurra o tímpano para fora, causando sensação de “ouvido tampado”.
  • Na aterrissagem: a pressão externa aumenta rapidamente, enquanto a do ouvido médio continua baixa. O tímpano é pressionado para dentro, podendo causar dor e dificuldade auditiva.

Se a tuba auditiva não conseguir equalizar a pressão de maneira eficiente, ocorre um desequilíbrio na orelha média, conhecido como barotrauma.

Quem tem mais chance de sentir desconforto?

Algumas condições aumentam a probabilidade de incômodo nos ouvidos durante o voo:

  • Congestão nasal: resfriados, sinusites e alergias dificultam a abertura da tuba auditiva.
  • Anatomia infantil: em crianças, a tuba auditiva é menos eficiente na equalização da pressão.
  • Mudanças bruscas de altitude: aumentam o risco de barotrauma.
  • Histórico de problemas auditivos: otites frequentes ou alterações estruturais da orelha média dificultam a equalização da pressão.

Sintomas do barotrauma

Os sintomas variam de leves a intensos, dependendo do grau de descompensação da pressão:

  • Sensação de ouvido tampado;
  • Dor de ouvido;
  • Diminuição da audição;
  • Tontura;
  • Zumbido (tinnitus);
  • Em casos graves, pode ocorrer dor intensa, perda auditiva persistente ou sangramento.

Como aliviar o desconforto nos ouvidos no avião?

Felizmente, existem estratégias eficazes para minimizar o desconforto auditivo durante o voo:

  • Mastigar chiclete ou chupar balas: ajuda na abertura da tuba auditiva;
  • Bocejar: auxilia na equalização da pressão;
  • Manobra de Valsalva: tampe o nariz, feche a boca e sopre suavemente;
  • Manobra de Toynbee: engula com o nariz tampado para ajudar na equalização;
  • Uso de descongestionantes nasais: facilita a abertura da tuba auditiva em caso de congestão.

Cuidados especiais com crianças

Crianças são mais vulneráveis ao desconforto nos ouvidos. Algumas estratégias específicas incluem:

  • Amamentar ou oferecer mamadeira durante o voo;
  • Dar chupeta, balas ou chicletes (para crianças maiores);
  • Usar analgésicos leves em caso de dor.

Quando procurar um médico?

Embora o desconforto nos ouvidos geralmente melhore após o pouso, é recomendável procurar um otorrinolaringologista se:

  • A dor persistir por mais de 48 horas;
  • Houver perda auditiva prolongada;
  • Ocorrer sangramento no ouvido;
  • Houver tontura intensa ou zumbido constante.

Esses sintomas podem indicar complicações graves, como perfuração do tímpano ou infecção na orelha média.

Estar preparado e conhecer as técnicas de alívio do desconforto auditivo pode fazer toda a diferença, especialmente para quem viaja com frequência ou com crianças. Dessa maneira, é possível viajar de avião com tranquilidade, sem que a pressão nos ouvidos estrague a experiência.

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Dr. Giulliano Luchi

Colunista

Médico. Mestre e Doutor em Otorrinolaringologia. Professor de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Espírito Santo. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Membro internacional da Academia Americana de Otorrinolaringologia. MBA em gestão de negócios em Saúde. Formação em Mentoring, Coaching e Advice. @otoclinica_giulliano_luchi

Médico. Mestre e Doutor em Otorrinolaringologia. Professor de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Espírito Santo. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Membro internacional da Academia Americana de Otorrinolaringologia. MBA em gestão de negócios em Saúde. Formação em Mentoring, Coaching e Advice. @otoclinica_giulliano_luchi