Com a queda no número de casos de covid-19, Estados e municípios brasileiros começaram a anunciar a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes abertos e até fechados. A flexibilização tem preocupado profissionais ligados à área da saúde.
No Espírito Santo, as máscaras deixaram de ser obrigatórias em 77 das 78 cidades capixabas desde a última segunda-feira (14). Em 65 municípios do Estado, o uso deve permanecer em locais fechados. Em outros 12, elas não são mais exigidas em áreas abertas e fechadas. Apenas Cachoeiro de Itapemirim, segue com a obrigatoriedade independentemente dos lugares.
Porém, a desobrigação segundo a secretaria de Estado da Saúde, não significa que as máscaras tenham deixado de ser recomendadas. Segundo a doutora em epidemiologia, Ethel Maciel, para alguns grupos de pessoas, inclusive, elas ainda são essenciais para a prevenção da covid-19.
“Com a população vacinada, a desobrigatoriedade do uso da máscara em local aberto é menos problemática, mas deve vir aliada a uma campanha de educação, pois algumas pessoas vulneráveis devem continuar usando enquanto estivermos em uma pandemia”, destacou.
Entre os grupos com mais chances de desenvolver formas severas da covid-19 estão os idosos e pessoas que fazem tratamento para doenças como câncer, lúpus e artrite reumatóide.
“Idosos ainda devem continuar, pessoas que estão em tratamento contra o câncer, que usam altas doses de corticóides, transplantados, que fazem hemodiálise. Essas pessoas devem continuar com máscara”.
Ethel afirma ainda que o momento é de cautela, uma vez que a pandemia não terminou e a transmissão da covid-19 continua no Brasil.
“A pandemia não está controlada. Ela só poderá ser finalizada quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontar que os indicadores sinalizam o final da pandemia. Pandemia é uma epidemia global. A gente depende dos outros países também”.
LEIA MAIS: Por que o governo do ES liberou uso de máscara? Entenda as novas regras
Alguns profissionais devem continuar usando máscaras de proteção
Ethel também cita grupos de profissionais que, devido ao excesso de exposição ao risco de contaminação pelo vírus devem manter o uso das máscaras. Entre eles, médicos, enfermeiros, cobradores, caixas de supermercados e embaladores de compras.
“Nos profissionais de saúde, a máscara cirúrgica faz parte dos equipamentos de proteção individual, então deve ser usada em locais onde tem muita circulação de pessoas e atendimento. Já caixas de supermercado e cobradores de ônibus são pessoas que ficam muito tempo expostas a muita gente durante o dia de trabalho. Neste momento de pandemia, mesmo que não seja obrigatório, essas pessoas devem continuar se protegendo sim”, enfatizou.
Para a epidemiologista, as máscaras são meios de proteção simples, baratas e muito eficientes. Além disso, Ethel destaca que a pandemia não está controlada no mundo. E afirma que se outras variantes surgirem, se as vacinas tiverem impacto na efetividade, essas medidas podem ser retomadas.
Para a médica infectologista Euzanete Coser, as máscaras desempenham um papel importante no momento em que todos estamos vivendo. “Estar liberado não quer dizer que cada um precisa parar de usar. Cada pessoa tem que avaliar custos, riscos e consequências”, pontuou.
O também infectologista, Carlos Urbano Gonçalves Ferreira Jr., diz que é sempre importante seguir as recomendações das autoridades sanitárias para que haja segurança coletiva e um controle efetivo da situação.
De acordo com o médico, é importante medir os riscos e observar a movimentação nos lugares em que as pessoas estão antes de decidir abrir mão do protetor facial.
“Me parece razoável que nos municípios onde a doença está com baixo risco, em locais abertos e sem aglomerações de pessoas, que se fique sem máscara. Fora isso, locais fechados ou locais abertos com grande número de pessoas, a máscara deve continuar sendo usada”.
LEIA TAMBÉM:
>> Covid-19: ES registra a menor taxa de transmissão desde o início da pandemia
>> Uso de máscaras nas escolas: o que muda a partir de agora no ES