Saúde

Veja como tornar o parto natural mais fácil e uma experiência positiva na vida da mulher

Fazer exercícios, dançar, se alongar, passear e até mesmo evitar o consumo de açúcar durante a gravidez facilita o nascimento do bebê

Foto: TV Vitória
Escolher um local adequado, a melhor posição para o nascimento do bebê e a luz do ambiente são fatores que ajudam no parto natural.

Para muitas mulheres o parto natural está longe de ser a primeira opção para o nascimento do bebê. Isso porque dados da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo mostram que 85% das capixabas optam pela cirurgia cesárea para o nascimento do filho. O que muita gente não sabe é que o parto natural é mais seguro do que a cirurgia, sendo melhor para a recuperação da mãe e para a prevenção de doenças do bebê. 

Alguns fatores ajudam a simplificar o parto natural e tornam a experiência mais simples e positiva na vida da mulher, como escolher um local adequado, a melhor posição para o nascimento do bebê e a luz do ambiente. Esses cuidados são importantes e para a obstetra do Grupo Meridional, Patricia Portilho, que é uma defensora do parto humanizado, o principal agente do parto natural é o respeito, a mãe e o bebê, os protagonistas da situação.

Foto: TV Vitória

“Muitas pessoas acreditam que parto natural ou humanizado como também é chamado tem que ocorrer fora de casa, sem assistência médica e não é assim. O importante é que a mulher seja respeitada e que ela tenha o poder de escolha. Ela quem decide aonde o bebê vai nascer, quem vai estar junto dela nesse momento, a equipe que irá acompanhá-la, se haverá doula, tudo deve funcionar conforme a sua vontade”, explicou a obstetra. 

Foto: TV Vitória
Ariane em trabalho de parto para ganhar o João Vicente. 

Ariane é um exemplo de que o parto normal pode se tornar uma experiência marcante e feliz na vida da mulher. Ela que é mãe de João Vicente, que hoje está com oito meses de idade, enfrentou 17 horas de trabalho de parto. Nos intervalos entre uma contração e outra ela ficou tranquila, passeou no shopping, foi visitar a mãe e só quando as contrações “apertaram” ela foi para o hospital, onde teve controle total da situação. “Eu fiz exercícios de agachar e levantar, me alonguei, dancei funk, tudo para que o João viesse da forma mais natural possível e sem anestesia. Quando entrei na última fase do parto, chamada de expulsiva, estava com 10 cm de dilatação, eu fiz umas quatro forças e ele nasceu”, contou Ariane.

Para a obstetra Patricia Portilho, após o parto natural as mães saem muito satisfeitas e com a sensação de estarem realizadas, por elas terem conseguido fazer aquele momento importante da melhor forma possível. ” O rostinho de felicidade delas no final do parto compensa qualquer dor”, comentou.  

Ariane é uma das mães que comprova essa felicidade. “Eu não consigo explicar o meu sentimento. Eu virei pro meu filho e falei ‘a gente conseguiu’, porque ele também fez parte disso. É impossível descrever, eu não consigo encontrar uma palavra a não ser: realizada e emocionada”, contou. 

Parto natural 

A Secretaria de Estado da Saúde recomenda o parto adequado, que também é preconizado pelo Ministério da Saúde, que induz boas práticas do protocolo de nascimento, que visa à segurança da mãe e do bebê. A adequação do parto significa transformá-lo em um processo de nascimento seguro. 

A paciente precisa ser assistida desde a recepção até a alta. Ela precisa de um lugar para aguardar consulta com os equipamentos necessários, como aparelho de ouvir o coração do bebê, de aferir pressão e maca disponíveis. 

Quando realizar a cesárea? 

Existem apenas quatro indicações para partos cesarianos absolutos, (nestes casos o nascimento do bebê só pode ser por cesárea): bebê transverso, prolapso de cordão, placenta prévia e descolamento de placenta, que são casos considerados urgentes e que colocam em risco à vida da mãe e do bebê. 

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Um dos segredos para um parto mais rápido e com menos dores é reduzir o consumo de açúcar durante a gravidez

A nutricionista Nicolle Fiorott, explica que o açúcar em excesso reduz a liberação dos receptores da prostaglandina, que é responsável pela dilatação do colo uterino. “Durante a gestação, o colo fica resistente, fibroso, carregando o peso do útero. Ele só começa a relaxar, amolecer e afinar no final da gravidez, graças à presença da prostaglandina e seus receptores. As dores são decorrentes das contrações uterinas que irão empurrar o bebê em direção ao colo, que se abrirá para o nascimento. Se o colo uterino estiver mais endurecido, as dores serão mais fortes e o parto mais prolongado”. 

No campo teórico, os estudos científicos relacionados a essa ligação ainda são raros. Mas na prática, esse cuidado tem trazido grandes resultados na hora do parto. “É um esforço que vale muito a pena, porque além de amolecer o colo uterino quando as contrações começarem, os benefícios se estendem também à saúde da mãe e do bebê, já que reduzir o açúcar nunca é uma má ideia”, finalizou a nutricionista. 

O Jornal da TV Vitória preparou uma série especial com três reportagens sobre partos no Brasil e no Espírito Santo. Abaixo você confere o último episódio da série que fala sobre os fatores que ajudam no trabalho de parto.