
*Artigo escrito por Juliano Campana, educador e diretor-geral da Escola Monte Alvo
Ser jovem em 2025 é bem diferente do que era até o início dos anos 2000. Se antes havia consumo moderado de TV e computador e a brincadeira de rua ainda fazia parte do lazer das crianças, hoje o cenário é outro.
A bola perdeu espaço para os celulares e as conversas com colegas se tornaram virtuais, pelas redes sociais. São as telas na infância.
Leia também | Entre quatro paredes: o que a série “Adolescência” nos ensina sobre nossos filhos
Telas na infância: contato cotidiano com o virtual
Cada vez mais, a realidade das novas gerações é experimentada pelo contato cotidiano com o virtual.
Com episódios notórios e amplamente noticiados de crianças viciadas em telas, fez com que o poder público entrasse no jogo.
Recentemente, o governo federal lançou um guia oficial para o uso saudável de celulares e demais dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes brasileiros.
O documento traz orientações para familiares, cuidadores e educadores, abordando temas desde o impacto das telas na saúde mental até cyberbullying e a importância do equilíbrio entre atividades digitais e interações no mundo real.
Restrição de celulares nas escolas
Essa iniciativa vai ao encontro da Lei sancionada em janeiro deste ano pelo presidente Lula que restringe o uso de celulares em escolas públicas e privadas no Brasil.
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, que apresenta os principais resultados sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil, 93% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país, o que representa atualmente cerca de 25 milhões de pessoas.
E aproximadamente 23% dos usuários de internet de 9 a 17 anos reportaram ter acessado à internet pela primeira vez até os 6 anos de idade. A proporção era de 11% em 2015.
Tecnologia representa estímulos para nossos sentidos
É fato que toda tecnologia representa estímulos para nossos sentidos e que o uso das telas envolve a superprodução de dopamina, hormônio da recompensa responsável por levar informações do cérebro para as várias partes do corpo.
Por exemplo, quando você retira o celular de crianças e adolescentes acontece uma crise de abstinência como de uma pessoa em uso de drogas.
Assim, o uso de telas de forma indiscriminada gera uma sensação exagerada dos sentidos. Não é só na sala de aula, é no ambiente familiar, no lazer e no social.
Impacto profundo na formação anatômica do cérebro
As telas oferecem ainda um impacto profundo na formação anatômica do cérebro, influenciando na capacidade cognitiva; deturpação da formação moral, prejudicando a capacidade de interpretar e questionar dos jovens e na dimensão educacional.
Entre os malefícios causados pelo uso excessivo de dispositivos móveis está a queda no rendimento acadêmico, aumento do estresse, prejuízos na comunicação face a face até problemas de saúde mental.
Ferramenta importante para o aprendizado
Sem dúvidas, a tecnologia e as telas são divertidas e uma ferramenta importante, principalmente em relação ao aprendizado.
Contudo, o uso excessivo do celular na infância pode prejudicar o desenvolvimento infantil, predispondo a criança a transtornos fisiológicos e emocionais. Sendo assim, a dica é sempre prezar pelo equilíbrio.