Saúde

Vacina da covid em crianças: especialistas explicam tudo o que você precisa saber

No Espírito Santo, até o dia 7 de março 37% das crianças entre 5 e 11 anos tinham sido vacinadas contra a covid. A meta é chegar aos 90% do público-alvo; especialistas de São Paulo tiram dúvidas sobre o tema

Foto: Prefeitura de Cariacica / Claudio Postay

Os casos de covid-19 praticamente triplicaram ao longo dos meses de janeiro e fevereiro em todo o país, após a chegada da variante Ômicron. Isso, quando comparado ao momento crítico da pandemia vivido em 2021 provocado pela circulação de uma outra variante, a Delta. 

Porém, segundo o presidente do Departamento de Imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, o número de óbitos não acompanhou na mesma proporção o número de casos que surgiram. Para Kfouri, esses dados refletem o sucesso da vacinação no país. 

Por outro lado, com o início da vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade em janeiro deste ano, surgiu uma nova preocupação: a baixa adesão de imunização desse público-alvo. 

O Espírito Santo ainda está longe de atingir a meta de 90% das crianças aptas a serem vacinadas. 

Entre os principais motivos associados ao receio de vacinar as crianças, pais relatam o medo de reações adversas e também os supostos efeitos a longo prazo. Atualmente, existem duas vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária disponíveis para crianças no Brasil: a Coronavac e a Pfizer.

De acordo com dados disponibilizados na plataforma Vacina e Confia, do governo do Estado, até a manhã da segunda-feira (7), 145.461 crianças entre 5 e 11 anos foram vacinas no Espírito Santo. O número representa 37& do público-alvo que é de, aproximadamente, 393.089 pessoas. 

Mais de 35 mil crianças de nessa faixa etária se infectaram no Estado desde o início da pandemia. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde.

Durante live promovida pelo governo do Estado na noite desta quarta-feira (10), dois  especialistas de São Paulo, Éder Gatti, médico do Instituto Butantan, e Renato Kfouri presidente do Departamento de Imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria responderam várias dúvidas sobre a segurança e necessidade de vacinar crianças contra a covid-19. A live também contou com a participação do secretário de estadual de Saúde, Nésio Fernandes.

Foto: Myke Sena / Ministério da Saúde

Por que vacinar as crianças e adolescentes?

De acordo com Kfouri, as vacinas são uma importante ferramenta de proteção contra a forma mais grave da doença. Reduzem as probabilidades de uma evolução severa. 

Além disso, crianças e adolescentes menores de 18 anos representam uma grande proporção da população: 1/4 dos brasileiros estão nessa faixa etária, ou seja 25%.

“Já tivemos mais de 2.400 óbitos no Brasil. É mais que todas as outras doenças. A Síndrome Inflamatória e a Covid longa devem ser consideradas e nós temos crianças portadoras de condições crônicas que também precisam ser vacinadas. Temos que vacinar as crianças por elas e pela coletividade.”

O médico do Instituto Butantan, Éder Gatti afirma que as vacinas contra a covid são extremamente seguras. Sobre o fato de terem sido desenvolvidas em um curto espaço de tempo, o médico afirma que todo o processo envolveu uma mobilização muito grande com relação a vacinação.

“De fato, tudo aconteceu muito rápido, mas tudo aconteceu dentro dos conformes. As vacinas que estão aí foram testadas, não são experimentais, elas foram devidamente testadas, licenciadas por organismos reguladores sérios”. 

Sobre os riscos de reações adversas, Gatti destaca que elas são extremamente raras e alguns relatos apontam dor e vermelhidão no local da aplicação da vacina e febre baixa.

“Eventos adversos graves aconteceram, a maioria coincidente e o risco é extremamente baixo. Os benefícios da vacina superam e muito os riscos”, pontuou.

O que você precisa saber sobre a vacina infantil: 

Qual a função das vacinas?
R: Estimular a produção de anticorpos neutralizantes. São esses anticorpos que grudam no vírus e impedem que ele se ligue nas nossas vias respiratórias e cause a doença.

A vacinação é eficiente para impedir a covid-19? 
R: Às vezes a imunização não é eficiente para prevenir a doença, mas evita desfechos mais graves. 

A vacina aplicada nas crianças é diferente dos adultos?
R: Sim. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, a vacina da Pfizer, por exemplo, tem composição e dosagem diferentes da aplicada nos adultos. 

Meu filho já teve covid. Ainda assim precisa ser vacinado?
R: A imunidade causada pela doença se perde ao longo do tempo. Mesmo que a criança tenha adoecido e se recuperado, a vacina pode reforçar a imunidade dela.

Quantas doses as crianças precisam tomar?
R: 2 doses. Ainda não existe uma definição sobre a necessidade de uma dose de reforço em crianças e adolescentes.

Vacinas podem causar efeitos colaterais?
R: Sim. A vacina é um medicamento e portanto traz alterações no organismo. Porém, os eventos adversos são raros. Vermelhidão e dor no local da aplicação e estado febril estão entre eles.

As vacinas são seguras?
R: Estudos apontam que as vacinas Coronavac e Pfizer são eficientes e seguras. Garantem proteção superior a 90% contra óbitos e hospitalizações.

Covid-19 X crianças e adolescentes

Crianças são mais assintomáticas que os adultos?
R: Sim. Quanto menor a idade e as comorbidades, mais o indivíduo se apresenta assintomático. Porém, algumas crianças evoluem para complicações graves.

Quais as características da doença em crianças e adolescentes?
R: Se infectam menos, transmitem menos, desenvolvem formas mais severas da doença com menor frequência e hospitalizam menos. 

Covid em crianças mantém sintomas persistentes? 
R: Um estudo feito no Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que 43% das crianças infectadas pelo vírus têm efeitos persistentes de covid por pelo menos 3 meses. Isso significa que 4 em cada 10 crianças que adoecem apresentam perda de olfato, fadiga, cansaço, dor de cabeça, dificuldades de concentração e distúrbios do sono são os mais frequentes.

Quais os grupos de risco na pediatria?
R: Diabéticos, cardiopatas, transplantados, câncer, Síndrome de Down e doença pulmonar crônica, adolescentes grávidas, além de outros.

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