Síndrome da ardência bucal: o que é, quais os sintomas e como tratar

A Síndrome da ardência bucal ou “Boca Ardente” é uma condição caracterizada por uma sensação de queimação, formigamento ou dor na boca, afetando geralmente a língua, lábios, gengivas, céu da boca e áreas circundantes.

Os sintomas são bem característicos, com quadro de dor e desconforto do tipo queimação na mucosa oral e principalmente da língua, como se a pessoa tivesse comido pimenta. Alguns pacientes também alegam alteração do paladar, gosto mais amargo e metálico na boca e sensação de boca seca. Essa sensação costuma ser variável ao longo do dia e tende a piorar com alimentações quentes ou condimentadas. Pode também variar de intensidade, ser contínua ou intermitente e perdurar por meses ou anos.

A prevalência da síndrome da boca ardente na população varia de 3% a 7%, geralmente, atinge mulheres na faixa etária entre 40 a 60 anos. Alguns estudos mostram uma proporção é de 7 pessoas do sexo feminino para 1 do sexo masculino.

Apesar de ter sido descrita pela primeira vez no século XIX, os profissionais de saúde até hoje têm dificuldade no diagnóstico e identificação. Quem sofre com essa condição comumente relata ter procurado inúmeros profissionais sem descobrir a causa e tratamento

Não há exames ou testes específicos para determinar a sua existência, como acontece com outras doenças conhecidas, portanto, sempre precisamos fazer um diagnóstico de exclusão para se estabelecer as condições que podem estar associados.

O diagnóstico da Síndrome da ardência bucal é baseado nos sintomas relatados pelo paciente, além de um exame físico e histórico médico detalhado.

As causas da síndrome da boca ardente não estão muito bem estabelecidas, podendo ser classificadas em dois tipos principais: a síndrome da boca ardente primária (com sintomas, mas sem causa desencadeante identificada) e a secundária (quando é possível determinar a causa dos sintomas, isto é, outra doença associada).

As condições de saúde que podem estar a doença secundária são: diabetes, hipotireoidismo, doenças autoimunes como a síndrome de Sjögren, Parkinson, deficiência nutricional muito associada a deficiência de vitamina B12, desequilíbrios hormonais, reações alérgicas, estresse emocional e alterações nos nervos sensoriais da boca.

Não há exames específicos que confirmem o diagnóstico, pois geralmente é baseada nos sintomas relatados pelo paciente e na exclusão de outras condições.

O tratamento é identificar as possíveis doenças associadas e as tratar, e para os casos aonde não foram identificadas doenças associadas o tratamento é apenas sintomático.

– Beber água com frequência para estimular a saliva e a manter a boca úmida;
– Uso de saliva artificial;
– Evitar alimentos ácidos e apimentadas;
– Uso de medicações paliativas específicas podem ajudar a manter os sintomas controlados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Se você sofre dessa condição, deve receber uma avaliação detalhada do médico ou dentista especialista (estomatologista), para condução adequada do seu caso.

LEIA TAMBÉM: O papel dos suplementos no envelhecimento; entenda

Dra. Martha Salim

Colunista

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim